Testes da Coronavac retomados no Brasil. Bolsonaro lança críticas mas garante aquisição de doses

A Agência Nacional de Vigilância Santiária (Anvisa), órgão regulador no Brasil, autorizou na quarta-feira a retoma de testes da Coronavac que tinham sido interrompidos na segunda-feira após a morte de um voluntário no país. Jair Bolsonaro, crítico desta vacina, tinha considerado a suspensão como uma vitória pessoal. No entanto, o Presidente brasileiro reiterou na quarta-feira que o Governo irá adquirir doses de qualquer vacina que seja aprovada pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde.

Andreia Martins - RTP /
Adriano Machado - Reuters

A Anvisa já autorizou a retoma dos testes mas recusou-se a divulgar pormenores sobre o “evento adverso” que levou à morte de um voluntário no país, por “respeito à privacidade e integridade dos voluntários da pesquisa”.

O órgão regulador esclarece apenas que “segue acompanhando a investigação do desfecho do caso, para que seja definida a possível relação de causalidade entre o evento adverso grave inesperado e a vacina”.

Sabe-se apenas que o voluntário tinha 33 anos e morreu a 29 de outubro. Participava na terceira fase do ensaio da Coronavac. De acordo com a imprensa local, tratou-se de um suicídio, mas a informação não foi confirmada pelas autoridades.

O Instituto Butantan, de São Paulo, que tem uma parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac para fabricar a vacina e conduzir os ensaios de fase três no Brasil, divergiu com a reguladora em relação à interrupção dos testes.

A Anvisa sublinhou logo que foi uma decisão meramente “técnica”, mas o diretor do instituto Butantan estranhou a decisão da agência porque o óbito não estava relacionado com a vacina. Mesmo com a retoma dos testes dois dias depois da suspensão, o Congresso brasileiro convidou os diretores da Anvisa e do Butantan para prestarem esclarecimentos sobre o sucedido.

Num dos países mais afetados pela Covid-19, em que já morreram mais de 163 mil pessoas e houve quase seis milhões de casos de infeção desde o início da pandemia, o Presidente brasileiro tem semeado a desconfiança em relação à vacina da Sinovac.

Alinhado com outros países nas críticas endereçadas à China por força da atual pandemia, Jair Bolsonaro tem levantado suspeitas em relação à vacina da Sinovac, considerando que lhe falta credibilidade, sem no entanto apresentar qualquer prova.

Aquando da suspensão dos testes, Jair Bolsonaro considerou que se tratava de uma “vitória pessoal” e no mês passado tinha recusado qualquer hipótese de aquisição da vacina chinesa que está a ser testada no país. As palavras e o posicionamento do Presidente estão a ser criticados por políticos e profissionais de saúde, que acusam o chefe de Estado de estar a tentar politizar a vacina.

Ainda assim, o Presidente brasileiro reiterou na quarta-feira que o Governo irá adquirir doses de qualquer vacina que seja aprovada pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, sendo que a vacina da Sinovac - que tem criticado - poderá também ser uma dessas vacinas. Bolsonaro refere, no entanto, que a vacina não será obrigatória.

“Caso ela chegue, seja aprovada pela saúde e certificada pela Anvisa, o governo federal, a princípio, nós vamos comprar. Se não tiver nenhum impedimento, nós vamos comprar a vacina. Disponibilizaremos, claro, mas jamais da nossa parte ela será obrigatória”, afirmou.
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