Tia de Alan Kurdi pede ao mundo que não "feche os olhos"

A tia de Alan Kurdi, o menino sírio cujo corpo foi encontrado numa praia turca em 2015, pediu hoje ao mundo que não "feche os olhos" ao drama vivido por milhares de migrantes e refugiados em todo o mundo.

Lusa /

"Não podemos fechar os olhos e virar as costas" aos refugiados, disse Tima Kurdi, durante uma conferência de imprensa da organização não-governamental (ONG) alemã Sea-Eye, que decidiu em tempos batizar um navio humanitário, envolvido no resgate de migrantes no Mediterrâneo, com o nome de "Alan Kurdi".

"Pessoas em todo o mundo continuam a sofrer e a situação piorou ainda mais (...). Estão a pedir ajuda", acrescentou Tima Kurdi, na véspera do dia em que se assinala o quinto aniversário da morte num naufrágio desta criança de três anos, cujo corpo foi encontrado, juntamente com os corpos do seu irmão mais velho (Galip) e da sua mãe (Rehanna), numa praia da Turquia, perto de Bodrum.

Em 02 setembro de 2015, a imagem do corpo de Alan Kurdi divulgada então à escala mundial converteu-se num símbolo da tragédia dos refugiados e despertou uma onda de comoção em relação ao drama vivido por centenas de milhares de refugiados, especialmente sírios, que fugiam de situações de guerra e de violência.

A bordo de um bote pneumático, Alan Kurdi tentava chegar, com os seus pais e irmão, à ilha grega de Kos (próxima da Turquia), no mar Egeu.

"A fotografia do meu sobrinho, Alan Kurdi, o menino da praia, estava em todos os meios de comunicação social do mundo", recordou Tima Kurdi.

O irmão de Tima Kurdi e pai de Alan Kurdi foi o único elemento da família que sobreviveu.

Após o naufrágio, segundo relatou a mulher síria que vive há vários anos no Canadá, o irmão ligou-lhe a dizer que a imagem de Alan era "uma chamada de atenção para despertar o mundo".

"A nossa tragédia é infelizmente a tragédia de muitas outras pessoas", disse Tima Kurdi.

E concluiu: "Decidi fazer ouvir a minha voz em nome de todos aqueles que sofrem e não têm voz. (...) Se não posso salvar a minha família, então vamos salvar as famílias de outras pessoas".

A par do navio "Alan Kurdi", a ONG Sea-Eye anunciou hoje que pretende ter, até ao final do ano, um segundo navio humanitário de resgate de migrantes ao largo da Líbia, embarcação essa que será batizada com o nome do irmão do menino sírio (Galip).

Cinco anos após a crise migratória de 2015, centenas de pessoas continuam a morrer durante a travessia da rota migratória do Mediterrâneo.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que 554 migrantes terão morrido este ano, até à data, no Mediterrâneo.

Apesar do peso deste número, a situação ainda está longe das 3.030 vítimas mortais que foram estimadas entre janeiro e agosto de 2015.

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