Em direto
Movimento pela Habitação. A evolução da vaga de protestos em Lisboa e Porto

Tiago Cutileiro. Morte e destruição em Gaza noutra dimensão

Tiago Cutileiro. Morte e destruição em Gaza noutra dimensão

Perante o fluxo diário de imagens de explosões, cadáveres e ruínas que chegam através dos ecrãs, o artista Tiago Cutileiro encontrou na criação artística uma forma de reflexão e resistência.

Cláudia Almeida - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: Galeria Ratton

Dessa inquietação nasce a exposição Dois Trípticos do Fim (explosões, cadáveres e ruínas), de Tiago Cutileiro, patente na Galeria Ratton, em Lisboa.

A mostra resulta de uma reflexão sobre a destruição provocada pela guerra em Gaza e sobre a forma como um artista pode continuar a criar perante a violência extrema. "Eu estava a fazer esculturas de cadáveres e de ruínas, em Berlim", explica Tiago Cutileiro à RTP Antena 1. 

O convite lançado por Ana Viegas, diretora da Galeria Ratton (espaço que celebra trinta e nove anos de existência), levou-o a adaptar esse projeto ao universo do azulejo: "fui tentar converter este projeto de escultura em projeto de azulejo, e saíram estes trípticos. Depois resolvi entrar numa área que não era a minha: pintura no azulejo, que eu nunca tinha feito. Também incluí no tríptico uma pintura em azulejo".

Na conversa com a RTP Antena 1, o compositor, artista sonoro e artista plástico afirma que a exposição procura confrontar o público com imagens de destruição, morte e ruína, recusando a indiferença perante a violência que continua a marcar os territórios palestinianos.

Na primeira sala da Galeria Ratton, as obras surgem em menor escala: um painel com ruínas vermelhas sobre azulejo vermelho, outro com cadáveres moldados em barro branco sobre azulejo branco e uma explosão representada através da técnica de pigmentação por esponja. 

Numa estante embutida na parede, surgem fragmentos destes elementos, prolongando a reflexão proposta pelos dois trípticos. Neste segmento, destacam-se os azulejos individuais com figuras de cadáveres, concebidos para adquirirem significado próprio fora do conjunto. 

"Achei que cada painel podia ser subtraído, com um azulejo que, por si só, valeria algo. O que no contexto do genocídio em Gaza me parece extremamente rico de interpretação, no sentido em que falamos tanto de números, não é? Os setenta e quatro mil mortos... Mas cada morto, para as suas famílias e, sejamos honestos, para toda a humanidade, cada um daqueles mortos deveria ser uma tragédia única que deveria ser assimilada por todos nós com muita dor", afirma o artista.
PUB