TikTok e Netflix suspendem operações na Rússia

por Carla Quirino - RTP
Twitter

Mais dois gigantes das plataformas digitais de comunicação alteram a presença em território russo devido à invasão da Ucrânia. A Netflix decidiu interromper o sinal de "streaming" e a rede social TikTok restringiu serviços como as transmissões em direto. A nova lei que penaliza quem difundir narrativas contrárias ao Kremlin com até 15 anos de cadeia estará na base destas decisões.

A lista de empresas a cortar ligações comerciais com a Rússia aumenta todos os dias. Esta semana começa com a Netflix Inc. a encerrar as operações em território russo.

Uma das maiores empresas de media suspende o sinal de streaming a perto de um milhão de clientes. Interrompe também todos os projetos e aquisições da Rússia, incluindo programas originais russos em rodagem.

Não foram especificados os motivos para a Netflix desligar temporariamente os serviços. Citado pela Reuters, um porta-voz da empresa apenas adiantou que, "dadas as circunstâncias no terreno", foi decidido "suspender o serviço na Rússia".

Ao sair do mercado após o ataque à Ucrânia, o gigante do streaming interrompe a produção de quatro séries em russo, incluindo o drama policial "Zato".


A atriz russa Svetlana Khodchenkova seria a protagogista de uma séria produzida pela Netflix, "Anna Karenina", também suspensa.

A empresa havia já afirmado que se recusaria a transmitir produções de canais estatais russos, apesar de existir um regulamento que exigiria a distribuição de estações apoiadas pelo Estado. Nenhum novo cliente poderá inscrever-se e não está claro o que acontecerá com as contas existentes, acrescentou a empresa.
TikTok
Por sua vez, a rede social TikTok, de propriedade chinesa, decidiu bloquear as transmissões feitas em direto e as publicações de conteúdos a partir de solo russo.

Menores de 25 anos são os principais utilizadores da rede social. Com a invasão russa da Ucrânia, os conteúdos sobre o conflito aumentaram exponencialmente, passando a circular todos os tipos de imagens em direto, algumas eventualmente falsas.


Twitter

Os protestos nas ruas de Moscovo ou São Petersburgo contra a guerra foram divulgados nas redes sociais, nomeadamnete no TikTok, e tiveram milhões de visualizações.

Mas o que for publicado contra a narrativa do regime de Putin poderá ser considerado fakenews e os utilizadores penalizados. Esta nova lei que proíbe a disseminação de alegadas notícias falsas está na base desta restrição da plataforma digital.

O TikTok fez saber no Twitter que, para garantir a segurança dos utilizadores, essas funcionalidades da plataforma seriam retiradas, mantendo os serviços de mensagens.


A porta-voz do TikTok, Hilary McQuaide, declarou que a aplicação na Rússia "agora aparece no modo somente de visualização" e não permite que as pessoas publiquem ou vejam novos vídeos ou transmissões ao vivo. Pode aceder-se a vídeos mais antigos, mas "só se não vierem de fora do país", sublinhou.

Acrescentou que "a segurança dos funcionários é a principal prioridade" e explicou que o serviço de partilhas de vídeos da empresa de tecnologia ByteDance, com sede na China, "não quer colocar os seus funcionários ou utilizadores russos em risco de penalidades criminais severas".
Outros media
A Rússia bloqueou o Facebook, por decisão do regulador dos media do país.  "A 4 de março de 2022, foi decidido bloquear o acesso à rede do Facebook (de propriedade da Meta Platforms, Inc.) na Federação Russa", disse o Roskomnadzor.

A decisão foi tomada depois de o Facebook ter bloqueado, para pessoas da União Europeia, meios de comunicação russos como a Russia Today e a Sputnik. O Twitter também está suspenso pelo Kremlin.

BBC, CNN e outras empresas comunicação social globais suspenderam temporariamente os trabalhos de reportagem na Rússia para proteger os repórteres.
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