Timor-Leste. Primeiro-ministro diz que prioridade são os cidadãos
O primeiro-ministro timorense e líder do PLP disse hoje que os cidadãos serão a sua prioridade, se voltar ao próximo Governo, afirmando que o povo sabe o que quer e vai votar nesse sentido nas legislativas de hoje.
"A prioridade são os nossos cidadãos. Primeira, segunda e terceira prioridades", disse Taur Matan Ruak depois de votar na Escola Primária 17 de Abril, no Bairro de Metiaut em Díli, onde chegou acompanhado do filho e onde estavam, na altura, poucos eleitores à espera.
Mostrando-se confiante na vitória, vincando sentir-se honrado pelo apoio que tenha da cidadania, o chefe do Governo rejeitou que os últimos anos tenham sido difíceis, congratulando-se com o que foi feito pelo seu executivo.
"Primeiro, não foram anos difíceis (...) Só se ganha quando se tem condições e capacidade para enfrentar os desafios. Foi o que nós fizemos", disse.
"Segundo, nós temos programa. A plataforma [do atual Governo] sabe o que quer, e o que vai fazer. E nós estamos muito determinados a levar o nosso país para outro patamar de desenvolvimento", referiu, apontando com aspetos essenciais "combater a pobreza e a má nutrição".
Já sobre se estas legislativas marcarão o último processo eleitoral encabeçado pelos líderes mais velhos, concretizando a tão falada transição geracional no país, Taur Matan Ruak, 66 anos, foi enfático: "eu vou viver até aos 150 anos, e alguém vai ter que me aturar".
Depois de ser o último comandante das Falintil, o braço armado da resistência timorense e o primeiro comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste (FDTL), depois da restauração da independência, Taur Matan Ruak foi Presidente da República e agora primeiro-ministro.
Ao contrário do que se chegou a prever em vários momentos dos últimos anos, marcados por crises políticas e o impacto da pandemia e de desastres naturais, Taur Matan Ruak conseguiu terminar o mandato à frente do executivo.
O PLP, que lidera desde o dia em que deixou de ser chefe de Estado, tem atualmente oito cadeiras no Parlamento Nacional e lidera o executivo, onde estão o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) e, desde 2020, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).
Apesar de concorrerem sozinhas, as três forças políticas assinaram antes do voto um acordo de que se manterão aliados depois do voto para formar o nono Governo constitucional.
"Depende das pessoas, se confiarem em mim, estou pronto" para ser primeiro-ministro, disse.
"Assinámos acordo e esperamos que depois das eleições vamos fazer um bom trabalho", considerou.
São 17 os partidos que disputam as eleições de hoje em Timor-Leste, cuja contagem pode demorar vários dias. Mais de 890 mil eleitores estão registados para a votação, na qual vão ser escolhidos os 65 deputados do Parlamento Nacional.
Oito dos partidos têm assento parlamentar e um faz a sua estreia, sendo que para eleger deputados as forças políticas têm de obter mais de 4% dos votos válidos.
A jornada eleitoral decorre até às 15:00 (07:00 em Lisboa), com o maior número de sempre de eleitores no país e na diáspora, e o maior número de centros de votação.
Milhares de observadores de Timor-Leste e de vários países e centenas de jornalistas estão acreditados para acompanhar a votação.
Timor-Leste, uma ex-colónia portuguesa até 1975, mas invadida e anexada no mesmo ano pela Indonésia, tornou-se no mais jovem Estado soberano do século XXI, a 20 de maio de 2002, dia em que o país assinala a restauração da independência.
Timor-Leste é um dos países mais pobres do mundo, com 42% dos cerca de 1,3 milhões de habitantes a viverem abaixo da linha de pobreza, de acordo com as Nações Unidas.