Mundo
Tiroteio em templo sikh nos EUA encarado como “terrorismo doméstico”
As autoridades norte-americanas estão a investigar o tiroteio de domingo num templo sikh em Oak Creek, perto de Milwaukee, no Estado do Wisconsin, como um “incidente de terrorismo doméstico”. Morreram pelo menos sete pessoas e outras três ficaram feridas, incluindo o primeiro agente da polícia a chegar ao local. O atirador acabou por ser abatido por outro elemento das forças de segurança. Declarando-se “profundamente entristecido” com os acontecimentos das últimas horas, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou o que considerou ser “um ato de violência sem sentido”.
O ataque começou às 10h30 (15h30 em Lisboa) de domingo. Um atirador isolado dirigiu-se ao templo sikh de Oak Creek, um subúrbio da cidade norte-americana de Milwaukee com 35 mil habitantes, e começou a disparar indiscriminadamente. Na altura os membros daquela comunidade faziam os preparativos para a principal cerimónia religiosa do dia.
Quatro pessoas seriam abatidas a tiro no interior do templo. Outros três morreram no exterior. O atirador sucumbiu aos disparos de um dos agentes da polícia enviados para o local. Outro membro das forças de segurança foi atingido com gravidade. Uma das três pessoas que ficaram feridas na sequência do tiroteio é o presidente do templo, Satwant Kaleka. Os feridos estão internados em situação crítica no hospital Froedtert, de Milwaukee.
As autoridades ainda não revelaram a identidade do atirador. A divisão de Chicago da ATF (brigada policial especializada em casos relacionados com álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos) descreveu o autor dos disparos como um homem caucasiano de 40 anos. Citado pela edição online da CNN, o porta-voz da ATF Thomas Ahern indicou que não foi estabelecida qualquer ligação entre o atirador e o templo escolhido para o ataque.

Embora não tenham ainda sido apurados quaisquer motivos, a agente especial do FBI Teresa Carlson, também citada pela cadeia televisiva norte-americana, confirmou que o caso está a ser encarado como “incidente de terrorismo doméstico”.
“Um ato de violência sem sentido”
Os pormenores do tiroteio foram relatados ao Presidente dos Estados Unidos pelo conselheiro de contraterrorismo John Brennan e pelo diretor do FBI, Bob Mueller, segundo uma nota entretanto divulgada pela Casa Branca. Barack Obama disse-se “profundamente entristecido” e garantiu o empenho da Administração numa investigação aprofundada.
Referindo-se ao ataque como “um ato de violência sem sentido”, o Presidente norte-americano fez questão de “sublinhar o quanto” os Estados Unidos têm sido “enriquecidos pela comunidade sikh.Religião monoteísta, o sikhismo nasceu no final do século XV, pela mão do guru Nanak (1469-1539), no Punjab, região setentrional da Índia.
O sikhismo combina elementos muçulmanos e hindus. Todavia, trata-se de uma religião com características originais.
Em língua punjabi, a expressão sikh significa “discípulo forte”. A religião é monoteísta, mas assenta também nos ensinamentos de uma dezena de gurus.
Estima-se que haja 25 milhões de seguidores em todo o mundo. Nos Estados Unidos a comunidade rondará as 700 mil pessoas.
Por causa da sua aparência (barba e turbante), os homens sikh são habitualmente tomados por muçulmanos em território norte-americano. E têm sido alvo de várias ações violentas desde os atentados de 11 de Setembro de 2011. No domingo, muitos dos líderes da comunidade recordaram o assassínio de um sikh no Arizona poucos dias depois dos ataques contra o World Trade Center, em Nova Iorque, e o Pentágono, em Washington.
“Houve vários crimes de ódio contra a comunidade sikh nos últimos anos e infelizmente nós estamos naturalmente inclinados a pensar que se tratou agora da mesma coisa”, reagiu Sapreet Kaur, responsável por uma aliança sikh, num comunicado referido pelas agências internacionais.
Em declarações à CNN, Kanwardeep Singh Kaleka, sobrinho do presidente da congregação de Oak Creek, ferido no tiroteio, adiantou que algumas das testemunhas ouvidas pela polícia descreveram o atirador como um homem branco, calvo, vestido com T-shirt branca e calças pretas e com uma tatuagem relacionada com o 11 de Setembro num dos braços. O que “implica que haverá aqui algum tipo de crime de ódio”, na perspetiva de Kaleka.
Por sua vez, o presidente do Conselho Sikh para a Religião e a Educação, Rajwant Singh, afirmou que a comunidade vive “sempre com a apreensão e uma sensação de medo de que este tipo de incidente tenha lugar em qualquer lugar e a qualquer momento”. Singh instou políticos, académicos e outros líderes norte-americanos a promoverem a diversidade cultural no país: “Toda a gente devia sentir-se em casa. Esta nação pertence a todos”.
Quatro pessoas seriam abatidas a tiro no interior do templo. Outros três morreram no exterior. O atirador sucumbiu aos disparos de um dos agentes da polícia enviados para o local. Outro membro das forças de segurança foi atingido com gravidade. Uma das três pessoas que ficaram feridas na sequência do tiroteio é o presidente do templo, Satwant Kaleka. Os feridos estão internados em situação crítica no hospital Froedtert, de Milwaukee.
As autoridades ainda não revelaram a identidade do atirador. A divisão de Chicago da ATF (brigada policial especializada em casos relacionados com álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos) descreveu o autor dos disparos como um homem caucasiano de 40 anos. Citado pela edição online da CNN, o porta-voz da ATF Thomas Ahern indicou que não foi estabelecida qualquer ligação entre o atirador e o templo escolhido para o ataque.
Embora não tenham ainda sido apurados quaisquer motivos, a agente especial do FBI Teresa Carlson, também citada pela cadeia televisiva norte-americana, confirmou que o caso está a ser encarado como “incidente de terrorismo doméstico”.
“Um ato de violência sem sentido”
Os pormenores do tiroteio foram relatados ao Presidente dos Estados Unidos pelo conselheiro de contraterrorismo John Brennan e pelo diretor do FBI, Bob Mueller, segundo uma nota entretanto divulgada pela Casa Branca. Barack Obama disse-se “profundamente entristecido” e garantiu o empenho da Administração numa investigação aprofundada.
Referindo-se ao ataque como “um ato de violência sem sentido”, o Presidente norte-americano fez questão de “sublinhar o quanto” os Estados Unidos têm sido “enriquecidos pela comunidade sikh.Religião monoteísta, o sikhismo nasceu no final do século XV, pela mão do guru Nanak (1469-1539), no Punjab, região setentrional da Índia.
O sikhismo combina elementos muçulmanos e hindus. Todavia, trata-se de uma religião com características originais.
Em língua punjabi, a expressão sikh significa “discípulo forte”. A religião é monoteísta, mas assenta também nos ensinamentos de uma dezena de gurus.
Estima-se que haja 25 milhões de seguidores em todo o mundo. Nos Estados Unidos a comunidade rondará as 700 mil pessoas.
Por causa da sua aparência (barba e turbante), os homens sikh são habitualmente tomados por muçulmanos em território norte-americano. E têm sido alvo de várias ações violentas desde os atentados de 11 de Setembro de 2011. No domingo, muitos dos líderes da comunidade recordaram o assassínio de um sikh no Arizona poucos dias depois dos ataques contra o World Trade Center, em Nova Iorque, e o Pentágono, em Washington.
“Houve vários crimes de ódio contra a comunidade sikh nos últimos anos e infelizmente nós estamos naturalmente inclinados a pensar que se tratou agora da mesma coisa”, reagiu Sapreet Kaur, responsável por uma aliança sikh, num comunicado referido pelas agências internacionais.
Em declarações à CNN, Kanwardeep Singh Kaleka, sobrinho do presidente da congregação de Oak Creek, ferido no tiroteio, adiantou que algumas das testemunhas ouvidas pela polícia descreveram o atirador como um homem branco, calvo, vestido com T-shirt branca e calças pretas e com uma tatuagem relacionada com o 11 de Setembro num dos braços. O que “implica que haverá aqui algum tipo de crime de ódio”, na perspetiva de Kaleka.
Por sua vez, o presidente do Conselho Sikh para a Religião e a Educação, Rajwant Singh, afirmou que a comunidade vive “sempre com a apreensão e uma sensação de medo de que este tipo de incidente tenha lugar em qualquer lugar e a qualquer momento”. Singh instou políticos, académicos e outros líderes norte-americanos a promoverem a diversidade cultural no país: “Toda a gente devia sentir-se em casa. Esta nação pertence a todos”.