Tiroteio mortal a poucas horas de votação histórica em região autónoma filipina
As mesas de voto abriram hoje de em Bangsamoro, região de maioria muçulmana, para eleger, pela primeira vez, o parlamento local, poucas horas após a morte de três pessoas num tiroteio entre fações de um grupo rebelde.
A votação constitui o culminar de um processo de paz intermitente, iniciado no final da década de 1990, que resultou na criação da região autónoma de Bangsamoro, no sul do país de maioria católica.
Mais de dois milhões de eleitores são chamados a eleger 80 assentos, disputados por 13 formações políticas. Até agora, os parlamentares eram nomeados.
Em Marawi, cidade devastada em 2017 por cinco meses de confrontos entre fundamentalistas islâmicos e forças governamentais, um jornalista da agência France-Presse (AFP) observou longas filas de espera em frente às mesas de voto, sob a vigilância de membros das forças de segurança e de veículos blindados.
"Estamos ansiosos, viemos para cá logo esta manhã", exclamou Mohammad Actar Macabada, de 18 anos, logo após ter votado.
"Estou nervoso porque talvez venha a ser o caos. Antes, era o caos. Agora, está tudo tranquilo", acrescentou o eleitor, que está "ansioso por saber os resultados", realçou.
Nesta região marcada pela violência política e pelas vinganças familiares, uma eleição sem incidentes seria considerada um sucesso, revelaram recentemente líderes partidários a jornalistas da AFP.
Esta paz foi, no entanto, abalada apenas algumas horas antes do início das eleições. Três pessoas foram mortas e 15 ficaram feridas no domingo, pouco antes da meia-noite, durante um tiroteio em Cotabato, a capital da região autónoma.
De acordo com o chefe da polícia local, Jibin Bongcayao, o tiroteio ocorreu quando membros de fações políticas rivais disputavam o direito de votar em primeiro lugar.
"Inicialmente, tratava-se de uma disputa entre dois grupos pelas vagas na fila" em frente a uma escola que servia de secção de voto na capital regional, explicou o responsável policial.
A disputa "provocou empurrões que degeneraram numa briga e, por fim, foram disparados tiros numa zona lotada".
O agente acrescentou que os homens envolvidos no tiroteio pertenciam a fações rivais do maior grupo rebelde das Filipinas, a Frente Islâmica de Libertação Moro (Milf), que luta há décadas pela autonomia da região.
No total, a violência separatista já causou 150 mil mortos desde a década de 1970.
A segurança foi reforçada em toda a região, parcialmente situada na ilha de Mindanau, com a mobilização de mais de 20 mil membros das forças de segurança.
No mês passado, uma comitiva que transportava o chefe interino do governo local - nomeado pelo presidente Ferdinand Marcos Jr. - foi atacado.
Além disso, um homem morreu no hospital na madrugada de hoje, na sequência de uma explosão ocorrida perto de uma secção de voto, numa ocorrência que a polícia está a investigar.