Tiroteios nos EUA. Autoridades na pista do terrorismo doméstico

Crimes de ódio, terrorismo doméstico. São estas as suspeitas que estão a ser exploradas pelas autoridades norte-americanas depois dos tiroteios ocorridos no último fim de semana em El Paso, cidade fronteiriça do Estado do Texas, e em Dayton, no Ohio. Morreram 29 pessoas nos dois ataques separados por 13 horas.

Carlos Santos Neves - RTP /
O governador do Texas, Greg Abbot, afirmou que o ataque de sábado comporta as características de um crime de ódio Jose Luis Gonzalez - Reuters

A expressão crime de ódio foi desde logo empregue pelo governador do Estado do Texas, Greg Abbot, para descrever os acontecimentos de sábado num supermercado de El Paso. Um homem de 21 anos, identificado como Patrick Crusius, da cidade texana de Allen, a 1046 quilómetros de distância, abateu ali 20 pessoas a tiro.
A procuradoria vai pedir a pena de morte para Patrick Crusius, o suspeito do tiroteio de El Paso.

A polícia citou um manifesto, alegadamente redigido por Crusius, cujo teor reforça a tese de um crime de cunho racial - num texto de quatro páginas publicado no fórum 8chan, habitualmente utilizado por extremistas, pode ler-se que o ataque seria “uma resposta à invasão hispânica do Texas”, além de uma declaração de apoio ao autor do massacre de março em mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia.

O próprio FBI já veio afirmar que o ataque de sábado “sublinha a contínua ameaça colocada por extremistas violentos domésticos e autores de crimes de ódio”. A polícia federal dos Estados Unidos assumiu a preocupação com o risco de ações como a de El Paso poderem inspirar outros extremistas.

“O FBI apela ao público americano para que denuncie às autoridades qualquer atividade suspeita que seja observada pessoalmente ou online”, exortou a estrutura em comunicado.

Também John Bash, procurador do distrito ocidental do Texas, vincou que as autoridades federais estão a encarar o tiroteio como um caso de terrorismo doméstico. “E vamos fazer o que fazemos a terroristas neste país, que é garantir uma justiça rápida e certeira”, afiançou no domingo, em conferência de imprensa.

Ainda segundo Bash, o ataque parece ter sido “pensado para intimidar uma população civil, para dizer o mínimo”.

O presumível atirador abriu fogo sobre clientes de um supermercado Walmart. Acabou por entregar-se à polícia. O chefe da polícia de El Paso, Greg Allen, adiantou que Patrick Crusius está a colaborar com os investigadores.
Ohio, 13 horas depois
O Governo mexicano já confirmou as mortes de sete cidadãos do país no tiroteio de El Paso. Outros seis estão entre os 26 feridos. E o ministro dos Negócios Estrangeiros do México, Marcelo Ebrard, não excluiu um pedido de extradição do atacante.

“Para o México, este indivíduo é um terrorista”, afirmou.

Treze horas depois do tiroteio no supermercado de El Paso, um segundo ataque com arma de fogo causou as mortes de nove pessoas e feriu outras 27 em Dayton, no Estado do Ohio. O atirador, que usava uma máscara e equipamento de proteção no corpo, foi abatido pela polícia menos de um minuto após os disparos.

O autor deste ataque foi identificado como Connor Betts, de 24 anos. A irmã, Megan Betts, foi uma das vítimas mortais.

Por agora, a polícia de Dayton recusa-se a avançar com possíveis motivações.

Donald Trump prometeu para esta segunda-feira uma declaração sobre os acontecimentos no Texas e no Ohio, depois de uma primeira tomada de posição.


No Twitter, Trump começou por escrever que o ataque de El Paso foi “um ato de cobardia”. Mais tarde, ao lado da primeira-dama, Melania Trump, o Presidente dos Estados Unidos falou de “um problema de doença mental”.

“O ódio não tem lugar no nosso país e vamos tratar disso. Isto também é um problema de doença mental, se olharem para ambos os casos. Estas são pessoas que estão muito, muito seriamente doentes”, clamou.

“Só quero dizer que são dois sítios incríveis, adoramos as pessoas e o ódio não tem lugar no nosso país”, disse ainda o Presidente norte-americano.
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