Tóquio ameaça romper acordo com Seul se estátua de escrava sexual não for removida
Tóquio, 31 dez (Lusa) -- O Governo japonês ameaçou hoje romper o histórico pacto alcançado com a Coreia do Sul sobre delicado assunto das escravas sexuais da II Guerra Mundial, caso não seja retirada de Seul uma polémica estátua que representa uma das vítimas.
O acordo foi firmado na segunda-feira pelos ministros de Negócios Estrangeiros de ambos os países em Seul, e contempla um pedido de desculpa oficial do Japão, pelos factos ocorridos há mais de sete décadas, e uma compensação económica às vítimas, tal como exigiu o Governo sul-coreano.
Durante a reunião, Tóquio também exigiu a retirada da estátua de uma menina colocada em frente da sua embaixada em Seul, que foi colocada como forma de protesto, tendo o chefe da diplomacia sul-coreana indicado que se esforçaria para "solucionar" esse problema "de forma adequada".
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, fixou como condição a retirada da estátua para conceder a indemnização acordada às vítimas, segundo fontes do Executivo citadas pela agência Kyodo.
Tóquio comprometeu-se a canalizar 1.000 milhões de ienes (cerca de 7,6 milhões de euros) para um novo fundo de compensação que seria gerido por Seul e destinar-se-ia a "honrar e restaurar a dignidade das vítimas", segundo referiu, esta segunda-feira, o ministro japonês Fumio Kishida.
As mesmas fontes indicaram que a Coreia do Sul está ciente da referida condição, o que Seul negou, ao apontar que a remoção da estátua "não foi mencionada no anúncio conjunto", realizado pelos dois ministros depois da reunião.
A controversa estátua representa uma menina, em tamanho real, sentada num banco, e foi erigida em 2011 perto da embaixada nipónica em Seul, por iniciativa de um grupo cívico sul-coreano que apoia as antigas vítimas de escravidão sexual.
Esta organização reiterou, na quarta-feira, a sua intenção de manter a estátua, tendo nesse mesmo dia voltado a realizar-se - como semanalmente -- uma concentração em frente a esse símbolo em homenagem às vítimas, a qual contou com a participação de cerca de 700 pessoas, de acordo com a agência Yonhap.
A disputa em torno da estátua ameaça o acordo histórico alcançado por ambos os países para resolver "de forma definitiva e irreversível" -- segundo o comunicado -- o conflito das escravas sexuais, tema que constitui o principal obstáculo nas relações diplomáticas bilaterais entre os dois países vizinhos.
Estima-se que cerca de 200.000 mulheres -- chamadas `mulheres de conforto` -- tenham sido forçadas a prestar serviços sexuais a membros das tropas nipónicas, a maioria delas na China e na península coreana, entre os anos 30 do século passado e o final da II Guerra Mundial, em 1945.