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Trabalhadores cinquentenários pela primeira vez mais numerosos que jovens na Coreia do Sul

Trabalhadores cinquentenários pela primeira vez mais numerosos que jovens na Coreia do Sul

A proporção de trabalhadores com 50 ou mais anos superou pela primeira vez a de funcionários na casa dos 20 anos nas principais empresas da Coreia do Sul, segundo um estudo hoje divulgado.

Lusa /

Segundo a análise da plataforma de dados corporativos Leaders Index, 20,1% dos funcionários das 124 maiores empresas sul-coreanas em volume de vendas tinham 50 anos ou mais no final de 2024, enquanto os trabalhadores na casa dos 20 anos representavam 19,8% do total.

É a primeira vez desde 2015, quando começou a recolha destes dados, que se regista esta "inversão geracional".

"O envelhecimento da força de trabalho está a acelerar, à medida que diminui a contratação de novos trabalhadores e se adia a reforma dos mais antigos", refere o estudo.

Embora o número total de trabalhadores nas empresas analisadas tenha crescido ligeiramente face a 2023, o número de funcionários mais jovens caiu pelo terceiro ano consecutivo, enquanto o dos maiores de 50 aumentou de forma constante.

A queda dos mais jovens foi particularmente acentuada em setores como baterias, tecnologia eletrónica e banca. Na fabricante de semicondutores SK hynix, a proporção de trabalhadores com 20 e poucos anos caiu 15 pontos percentuais entre 2022 e 2024, enquanto a dos com mais de 50 anos aumentou mais de oito pontos.

A tendência estende-se além das grandes empresas. Dados oficiais indicam que, em maio, os sul-coreanos com 60 anos ou mais tornaram-se, pela primeira vez, o grupo etário mais numeroso no mercado de trabalho, ultrapassando os sete milhões de empregados.

A taxa de participação laboral nesse grupo atingiu 49,4%, praticamente igual à dos jovens entre os 15 e os 29 anos (49,5%), que registaram 13 meses consecutivos de queda.

A agência sul-coreana de estatísticas atribui esta evolução à persistente baixa natalidade, envelhecimento da população e estagnação económica em setores como a construção e a indústria transformadora.

Embora a Leaders Index aponte o adiamento da reforma como um dos fatores do envelhecimento da força de trabalho, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) documentou que muitos trabalhadores continuam a ser obrigados a reformar-se aos 60 anos por imposição das próprias empresas.

Muitos enfrentam reduções salariais nos anos anteriores à reforma, devido a uma política conhecida como "sistema de salário decrescente", aplicada mesmo em grandes empresas. Nestes casos, os trabalhadores mantêm as funções, mas perdem autoridade e veem os seus salários reduzidos até 50% face ao que auferiam antes dos 55 anos, segundo um relatório da HRW publicado em julho.

O mesmo documento indica que muitos reformados regressam ao mercado de trabalho por necessidade económica, perante pensões insuficientes e uma rede de proteção social débil.

Os empregos acessíveis depois da reforma tendem a ser precários, temporários e mal remunerados, concentrados em setores rejeitados pelos jovens, como cuidador de idosos ou vigilante.

Segundo a HRW, 61,2% dos trabalhadores com 65 anos ou mais estão em empregos não regulares, percentagem que sobe para 85,1% entre os que têm mais de 70 anos.

A organização denuncia esta realidade como uma forma de discriminação estrutural em função da idade e critica o sistema laboral sul-coreano por empurrar os mais velhos para condições degradantes, em vez de proporcionar-lhes uma transição digna.

 

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