Trabalhadores da açucareira de Mafambisse retomam laboração após greve violenta

Cerca de quatro mil trabalhadores da açucareira de Mafambisse, centro de Moçambique, retomaram a laboração após três dias de greve em que foi morto um operário e três ficaram feridos.

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Os trabalhadores da Açucareira de Mafambisse, detida em 75 por cento pela firma Tongaat Hullet, da África do Sul, que reclamavam redução da carga horária, aumentos salariais, contratos e assistência assistência médica e medicamentosa, viram satisfeitas os principais reivindicações, disse hoje à agência Lusa o director provincial de Trabalho em Sofala, Omar Jalilo.

"Os principais pontos das reivindicações dos trabalhadores foram resolvidos, faltam acertos em alguns aspectos mais técnicos", sublinhou Jalilo, excusando-se a entrar em pormenores, "porque as negociações prosseguem".

Na quarta-feira, os trabalhadores e o patronato, com a mediação das autoridades laborais em Sofala, estabeleceram um aumento salarial de perto de três euros.

A direcção da firma aceitou também reduzir o tempo de trabalho diário, de 14 para oito horas, cedendo à exigência apresentada pelos trabalhadores nesse sentido.

Na segunda-feira, durante a greve, um trabalhador foi mortalmente baleado e três ficaram feridos, um dos quais em estado grave, quando os grevistas marchavam em direcção à entrada da empresa.

Desconhece-se, por enquanto, se os tiros foram disparados pelos agentes da polícia ou pela segurança privada da açucareira.

A Polícia de Investigação Criminal de Moçambique no distrito de Dondo, província de Sofala, centro do país, onde se situa a empresa, diz estar ainda a investigar a origem dos tiros que vitimaram os quatro trabalhadores.

Além da Açucareira de Mafambisse, a Tongaat Hullet detêm também a Açucareira de Xinavane, na província de Maputo, sul do país, tendo ambas recebido no início deste ano uma injecção de capital, no valor de 129 milhões de euros, com o objectivo de aumentar para 296 mil toneladas a produção anual de açúcar, contra 124 mil toneladas no ano passado.

Moçambique conta também com as açucareiras de Sena e Marromeu, na província de Sofala, e da Maragra, na província de Maputo.


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