Tráfico humano. Turquia acusa 280 suspeitos de envolvimento em tráfico de migrantes e refugiados

A justiça turca deteve e acusou, esta quarta-feira, três centenas de pessoas por envolvimento em tráfico de migrantes e refugiados para a Turquia, provenientes do Irão, anunciou o Ministério da Administração Interna do governo de Ancara.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Jihed Abidellaoui - Reuters

A nossa luta contra a imigração irregular vai continuar sem interrupção”, informou o ministro turco da Administração Interna, Ali Yerlikaya, numa publicação na rede social Twitter.


Numa operação contra as redes de tráfico humano, levada a cabo pelas autoridades turcas na província de Van, situada no extremo leste da Turquia e junto à fronteira com o Irão, foram detidos 280 indivíduos, dos quais 168 já foram presentes a um juiz.

De acordo com dados oficiais de Ancara, obtidos pela Agência Lusa, entre 2014 e 2022, um “total de 1,8 milhões de migrantes indocumentados foram intercetados na Turquia, 35 dos quais eram cidadãos do Afeganistão”.

Devido à sua localização geográfica, a Turquia é um dos principais países de trânsito e de destino para o contrabando de migrantes e o tráfico de pessoas. O país que contribui para estancar o fluxo migratório em direção à Europa “continua a acolher o maior número de refugiados em todo o mundo”, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Denúncia de Pushback, ou repatriamentos forçados e imediatos
Um total de “719 mil migrantes passou da Turquia para o espaço da União Europeia (UE)” entre 2016 e 2019, avança a Agência Lusa. As deslocações em direção à Europa fazem-se maioritariamente entre as costas turcas e as ilhas gregas, através da rota migratória do Mediterrâneo Oriental.

No entanto têm vindo a aumentar as denúncias da Turquia e de várias organizações não-governamentais (ONG), que acusam a Grécia de efetuar repatriamentos forçados e imediatos (o designado processo de “pushback”) de migrantes em situação irregular. As autoridades turcas estimam que em 2022 pelo menos 23 mil migrantes tenham sido vítimas desta “prática desumana” por parte de Atenas. O Governo conservador grego, liderado por Kyryakos Mitsokakis, nega estas acusações.

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