Tratado constitucional conduz a "uma outra ditadura" - Danielle Mitterrand
A viúva do ex-presidente francês François Mitterrand considerou quarta-feira que o Tratado constitucional europeu que será referendado a 29 de Maio em França institucionalizará "uma outra ditadura", um "sistema que faz do Homem um sujeito económico".
"Este Tratado constitucional institucionaliza uma outra ditadura que nós não queremos", declarou Danielle Mitterrand, depois de ter evocado todos os da sua geração "que deram a sua vida em 1940- 45 para construir" uma Europa de paz.
O Tratado consagrará "um sistema que faz do homem um sujeito económico e que esquece que é também um homem que pensa", disse Danielle Mitterrand à cadeia pública France 2.
"Eu voto `não`, mas percebo muito bem as pessoas de esquerda que são sinceras e votam `sim`: pensam que de dentro do sistema poderão influenciar a atitude, a má inclinação desta Constituição, mas creio que eles se enganam", disse.
Questionada sobre a posição que o seu marido teria adoptado, achou que seria "imprudente e presunçoso pôr a falar alguém que não está cá".
Dizendo preferir "referir-se ao que ele escreveu", Danielle Mitterrand citou uma frase do antigo presidente: "o homem e a geração de homens que, num assomo de lucidez, distinguem a natureza do perigo sabem que se aceitarem inseri-lo no sistema, este os desunirá".
O "clã" Miterrand está dividido quanto ao referendo. O filho mais novo, Gilbert, antigo deputado socialista de 56 anos, empenhou-se resolutamente a favor do Tratado. Quanto a Mazarine Pingeot, filha natural de François Mitterrand, será a favor do "sim", mas recusa assumir publicamente a sua posição para não "instrumentalizar" o pai.