Tratados de Proibição Total de Testes Nucleares. Russos discutem o abandono

Os parlamentares russos discutem esta segunda-feira a anulação da ratificação de um tratado que proíbe testes nucleares. Depois de Putin ter insinuado a possibilidade de voltar aos testes, Rússia deverá avançar no sentido de revogar a ratificação deste importante tratado.

RTP /
Sputnik/Alexander Kazakov/Kremlin via Reuters

A assembleia russa - Duma – reúne-se pelas 16 horas locais (13h Lisboa) para acertar agulhas quanto à saída do mais recente tratado que proíbe testes nucleares.

Na sessão da Duma, prevê-se que os parlamentares vão decidir pela anulação da ratificação do documento, isto porque, tanto o presidente russo Vladimir Putin não foi claro na hipótese do regresso aos testes nucleares assim como os EUA não ratificaram o tratado.

Este sinal pode abrir a porta para o início de uma nova corrida ao armamento nuclear entre as grandes potências, que tinha sido interrompido em 1991 após o colapso da União Soviética.

Na quinta-feira da semana passada, Putin avançou que a doutrina nuclear da Rússia não precisava de atualização, porém não estaria ainda pronto para dizer se Moscovo precisava ou não de retomar os testes nucleares.

O chefe do Kremlin argumentou que a Rússia poderia considerar a revogação da ratificação do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT), uma vez que os Estados Unidos o assinaram, mas não o ratificaram.

Isso levou o principal legislador da Rússia, Vyacheslav Volodin , a afirmar que o assunto seria discutido na reunião seguinte – esta segunda-feira - do Conselho da Duma da Rússia, o órgão-chave do parlamento russo que organiza o trabalho legislativo.

Os EUA sublinham que embora ainda não tenham ratificado o CTBT não tencionam abandoná-lo. Ao mesmo tempo advertem para a possivel saída de Moscovo do tratado. Argumentam que, se assim acontecer, irá assentuar-se a pressão sobre Washington e os seus aliados para suspenderem o fornecimento de armas e outras ajudas à Ucrânia.

O CTBT foi assinado por 187 países e ratificado por 178, mas não pode entrar em vigor até que os restantes oito países resistentes o tenham assinado e ratificado. China, Egito, Irão e Israel assinaram, mas não ratificaram. Coreia do Norte, Índia e Paquistão não assinaram.
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