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Três dias de protestos. Polícia do Cazaquistão dispara sobre manifestantes

Três dias de protestos. Polícia do Cazaquistão dispara sobre manifestantes

Ao início do terceiro dia de uma vaga de protestos em crescendo, que começou com a contestação ao aumento dos preços do gás, a polícia do Cazaquistão confirma ter abatido “dezenas” de manifestantes na cidade de Almaty. A Rússia e os aliados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva anunciaram o envio de uma “força de manutenção de paz” para aquele país da Ásia Central.

Carlos Santos Neves - RTP /
Pavel Mikheyev - Reuters

A vaga de protestos teve início no domingo. Na base da contestação esteve o aumento dos preços do gás. Mas é agora contra o presidente Kassym-Jomart Tokayev que os manifestantes se amotinam nas ruas de Almaty. A maior cidade do Cazaquistão está transformada em campo de batalha entre forças de segurança e militares e manifestantes amotinados.

Grupos de manifestantes chegaram a invadir edifícios administrativos e, por pouco tempo, o aeroporto. Incendiaram a residência presidencial em Almaty e as instalações de um canal televisivo. Sucedem-se as pilhagens.

Tokayev é o segundo presidente do Cazaquistão desde a declaração de independência, em 1991. A legitimidade da sua eleição, em 2019, foi questionada pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
A ira dos manifestantes é igualmente dirigida ao antecessor de Kassym-Jomart Tokayev na Presidência, Nursultan Nazarbayev, de 81 anos, que até quarta-feira conservou em mãos um papel de grande influência , à frente do poderoso conselho de segurança nacional, e que é visto como o mentor do atual chefe de Estado. Foi agora afastado, juntamente com todo o Executivo, numa tentativa – sem efeito - de aplacar os protestos.

Tokayev instaurou ainda o estado de emergência e impôs o recolher obrigatório noturno em todo o país. Todavia, os protestos têm continuado a subir de tom.

“Na última noite, forças extremistas tentaram tomar de assalto edifícios administrativos, o departamento da polícia de Almatyu e os departamentos locais e comissariados de polícia”, adiantou esta quinta-feira Saltanat Azirbek, porta-voz das forças de segurança.
O mesmo porta-voz deu conta de “dezenas” de manifestantes abatidos.

De acordo com o Ministério do Interior, pelo menos 12 operacionais das forças de segurança morreram nos confrontos em Almaty e outros 353 ficaram feridos. Foram detidas centenas de pessoas.
“Forças de manutenção da paz” lideradas pela Rússia
Perante o cenário de caos crescente, a vizinha Rússia e os aliados da Organização do Tratado de Segurança Coletiva anunciaram o envio, para o Cazaquistão, de uma “força coletiva de manutenção da paz”, a pedido do presidente Kassym-Jomart Tokayev.

Um contingente de paraquedistas destacado por Moscovo começou entretanto a operar no Cazaquistão, segundo as agências noticiosas russas.

O Departamento de Estado norte-americano afirma estar a “seguir de perto” o evoluir da situação no Cazaquistão, apelando à contenção por parte das autoridades e dos próprios manifestantes. A União Europeia fez um apelo no mesmo sentido.
A crise está já a produzir efeitos no tecidos económico e financeiro do país. Com falhas generalizadas da internet em pano de fundo, uma porta-voz do banco central do país anunciou mesmo a interrupção do funcionamento de todas as instituições financeiras. E os preços do urânio – o Cazaquistão é um dos principais produtores mundiais – dispararam nos mercados internacionais.

Na quarta-feira, o presidente cazaque alegava que os motins estariam a ser protagonizados por “bandos de terroristas” com “treino aprofundado no estrangeiro”.

O Cazaquistão é a maior das cinco antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central. É também a maior economia da região, com assinalável valor geopolítico para a Rússia.

Antes do envio de tropas para o Cazaquistão, o Kremlin apelou na quarta-feira a uma solução de diálogo para a crise, “não através de motins nas ruas e da violação de leis”.

c/ agências
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