Três pessoas submetidas a análise após envenenamento de ex-espião
Três pessoas vão ser submetidas a análises de radiação na sequência do envenenamento com uma substância radioactiva do ex-espião russo Alexander Litvinenko, na semana passada em Londres, anunciou a agência britânica de saúde pública.
Segundo uma porta-voz da agência de saúde pública, Katherine Lewis, as três pessoas em causa apresentam sintomas que justificam, como medida de precaução, a realização de análises para avaliar se foram contaminadas.
A porta-voz recusou avançar quais são os sintomas ou a localização da clínica onde as análises vão ser feitas.
As três pessoas fazem parte de um grupo de 18 chamadas pelas autoridades por terem estado em contacto ou com Litvinenko ou com os três locais por ele frequentados - a sua residência, um hotel e um restaurante - onde foram detectados vestígios de polónio 210, a substância radioactiva.
Alexander Litvinenko, de 43 anos, morreu quinta-feira num hospital de Londres vítima de uma dose maciça de radiação depois de, segundo as autoridades britânicas, ter sido envenenado com polónio 210, uma substância radioactiva altamente tóxica.
Até ao momento ainda não foi realizada uma autópsia ao corpo de Litvinenko, porque os médicos legistas estão a tentar determinar se a dose de radiação recebida pela vítima não põe em risco a saúde dos médicos que farão o exame legal.
As autoridades britânicas estão a tratar este caso como uma "morte suspeita", e não como um homicídio, e anunciaram a abertura quinta-feira de um inquérito judicial, paralelo à investigação policial, um procedimento habitual nos casos de mortes suspeitas.
Alexander Litvinenko recebeu asilo no Reino Unido em 2000, depois de abandonar os serviços secretos russos, para os quais trabalhou como espião, e tornou-se um crítico do presidente Vladimir Putin. Numa carta que ditou antes de morrer, o ex-espião acusou Putin de envolvimento na sua morte.