Tribunal brasileiro ordena que seja tornado público arquivo sobre guerrilha Araguaia
O Tribunal Federal de Brasília ordenou que seja tornado público o arquivo em poder das Forças Armadas sobre a guerrilha comunista na região Amazónica há 30 anos, anunciaram hoje fontes judiciais.
A decisão é considerada uma derrota para o governo brasileiro que tenta manter secretos os arquivos do período entre 1971-73, quanto cerca de 30 membros do Partido Comunista do Brasil iniciaram um movimento armado na região do rio Araguaia contra o regime militar (1964-85).
Os comunistas envolvidos acreditaram ser possível na época lançar um movimento armado no campo contra o governo central, a exemplo do que aconteceu na China (1949) e em Cuba (1959).
A "Guerrilha do Araguaia" iniciou as suas actividades em 1971, sendo derrotada pelas forças armadas brasileiras em 1974.
Morreram 16 soldados e pelo menos 68 guerrilheiros.
Testemunhas ouvidas pelos movimentos de defesa dos direitos humanos no Brasil afirmam que os guerrilheiros foram, na sua maioria, torturados antes de serem assassinados, tendo os corpos sido escondidos numa "operação limpeza" feita por militares em 1975.
O governo brasileiro tinha interposto um recurso ao Tribunal Federal de Brasília contra uma decisão judicial, no início do ano, que também ordenava a abertura dos arquivos.
O Tribunal Federal de Brasília determinou que até ao dia 15 de Dezembro os ministros da Defesa, da Justiça e dos Direitos Humanos e os comandantes das Forças Armadas definam os procedimentos para a abertura dos arquivos.
Entre os participantes da "Guerrilha do Araguaia" está o actual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, preso pelos militares em 1972.