Tribunal de Hong Kong anula proibição de casas de banho para pessoas transgénero

Tribunal de Hong Kong anula proibição de casas de banho para pessoas transgénero

Um juiz de Hong Kong decidiu hoje anular os regulamentos que criminalizavam o uso de casas de banho públicas por pessoas transgénero de acordo com a sua identidade de género, considerando que violam o princípio da igualdade.

Lusa /
Peter Parks - AFP

O juiz Russell Coleman deu provimento ao pedido de revisão judicial interposto por K, um homem trans que nasceu mulher, sustentando que as normas em vigor representam uma "intrusão desproporcionada e desnecessária nos direitos à privacidade e à igualdade".

Apesar da decisão, o magistrado suspendeu por um ano a anulação formal dos regulamentos, dando tempo ao Governo local para decidir se pretende adotar um novo enquadramento legal para resolver a situação.

A atual legislação apenas permite que crianças com menos de cinco anos, acompanhadas por um adulto do sexo oposto, entrem numa casa de banho destinada a outro género. A violação da norma é punível com uma multa de até 2.000 dólares de Hong Kong (cerca de 217 euros).

K, diagnosticado com disforia de género, apresentou a queixa em 2022, alegando que a proibição de utilizar casas de banho públicas masculinas violava os seus direitos constitucionais, ao impedi-lo de viver plenamente de acordo com a sua identidade de género.

A decisão representa mais um avanço nos direitos da comunidade LGBTQ+ na região administrativa especial chinesa, que tem revisto algumas políticas após vitórias judiciais de ativistas.

Em 2023, o mais alto tribunal de Hong Kong decidiu que a realização de cirurgia de reatribuição de sexo não devia ser obrigatória para alterar o género nos documentos oficiais.

No ano seguinte, o Governo atualizou a política, permitindo a mudança de género nos cartões de identidade sem cirurgia completa, desde que os requerentes cumpram determinadas condições médicas, como tratamento hormonal contínuo durante pelo menos dois anos e remoção parcial de órgãos sexuais.

Os candidatos devem também manter o tratamento hormonal e apresentar exames laboratoriais periódicos, quando solicitados pelas autoridades de Hong Kong, cidade vizinha de Macau.

Em abril deste ano, Henry Tse - o ativista que venceu a ação judicial de 2023 e recebeu o novo cartão de identidade refletindo a sua identidade de género - apresentou uma nova impugnação legal contra os critérios exigidos na atual política.

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