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Tribunal dos EUA trava declaração de desobediência na deportação de migrantes pelo governo

Tribunal dos EUA trava declaração de desobediência na deportação de migrantes pelo governo

Um tribunal de recurso norte-americano impediu esta sexta-feira um juiz federal de declarar vários funcionários do executivo de Donald Trump em desobediência judicial no caso das deportações de migrantes venezuelanos.

Lusa /
Leonardo Fernandez Viloria - Reuters

A decisão do coletivo de juízes, por dois votos a favor e um contra, acusa o juiz James Boasberg de ter "abusado" do seu poder de forma "particularmente grave", pois os processos de desobediência "acarretam consequências profundas para a separação de poderes que exigem o mais cuidadoso escrutínio judicial".

O juiz Boasberg tem sido alvo de constantes críticas por parte do Presidente Trump e da sua administração, que o apelidaram de "radical de esquerda" e pediram a sua demissão.

O Departamento de Justiça, liderado pela procuradora-geral republicana Pam Bondi, apresentou também uma queixa formal contra o juiz por "má conduta", no final de julho.

Em abril, Boasberg abriu um processo que acusa o governo de desobediência ao tribunal por ignorar uma ordem judicial e enviar mais de 200 migrantes, a maioria venezuelanos, para uma prisão em El Salvador.

Estes indivíduos foram libertados em meados de julho e enviados para a Venezuela no âmbito de uma invulgar troca de prisioneiros entre Washington e Caracas.

A 14 de março, Trump invocou a Lei dos Inimigos Estrangeiros de 1798, utilizada em tempo de guerra, para expulsar centenas de venezuelanos que acusa de pertencerem à organização criminosa Tren de Aragua.

Um dia depois de o executivo invocar a lei, Boasberg bloqueou a sua utilização, na altura em que dois aviões se dirigiam para a América Central transportando os migrantes.

O juiz ordenou o regresso dos voos, mas os aviões não regressaram e aterraram em El Salvador, desencadeando uma batalha judicial sem precedentes em que Trump chegou a sugerir a destituição de Boasberg.

A expulsão de migrantes para El Salvador desencadeou uma série de processos judiciais contra a administração Trump e críticas de organizações internacionais como a Human Rights Watch, que num relatório publicado na semana passada, acusou os dois países de submeterem estes indivíduos a "desaparecimentos forçados".

A administração Trump defendeu as expulsões, acusando os migrantes de terem ligações aos gangues Tren de Aragua e MS-13, recentemente classificados por Washington como grupos terroristas.

No entanto, várias investigações dos media norte-americanos mostraram que a maioria dos expulsos para El Salvador não têm antecedentes criminais.

Os Estados Unidos chegaram a um acordo com o Presidente salvadorenho Nayib Bukele para enviar alguns migrantes para o CECOT, uma prisão de alta segurança envolta em relatos de abusos de direitos humanos.

Como parte do acordo, cujos detalhes específicos são desconhecidos, Washington prometeu pagar a El Salvador seis milhões de dólares anuais para manutenção do sistema prisional.

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