Tribunal espanhol julga brigada da ETA detida em Óbidos

A Audiência Nacional de Espanha julga os militantes bascos Garikoitz Garcia Arrieta e Iratxe Yánez Ortiz de Barrón que foram detidos em Óbidos quando transportavam numa carrinha armas e material explosivo para uma base que haviam instalado na vila portuguesa. O Estado espanhol pede 49 e 23 anos de prisão respetivamente para os dois alegados militantes bascos.

RTP /
Acusados de querem montar uma base operacional em Portugal, os alegados militantes bascos olham com desdém para o tribunal que os julga DR

A justiça espanhola começou a julgar os alegados militantes da ETA esta quarta-feira. O Ministério Público pede 49 anos de prisão efetiva para Garcia Arrieta e 23 para Yánez pelos crimes de organização terrorista, depósito e transporte de explosivos, detenção ilegal de armas de fogo e falsificação de documentos.

Yánez Ortiz declarou perante os juízes que “é militante da ETA há mais de dez anos” e afirmou não ir participar no julgamento a que está a ser sujeita. Garcia Arrieta – que enfrenta uma pena de prisão superior à da sua camarada por ter agredido um polícia em Zamora que lhe deu ordem de paragem à que ele desrespeitou seguindo para Portugal onde acabaria por ser detido – afirmou por seu lado que A única coisa que tenho de dizer é que não tenho nada a dizer nem sequer vou responder às perguntas”.

A Procuradora espanhola alegou em tribunal que o grupo pretendia estabelecer em Portugal uma base operacional e que para isso transportavam armas e material explosivo para fabrico de bombas juntamente com documentação falsa, matrículas falsas e outros utensílios que lhes seriam essenciais para a promoção das suas atividades.

Os alegados etarras cumpririam ordem do então chefe militar da ETA Mikel Kabikoitz Karrera Sarobe que lhes terão sido transmitidas no ano de 2010.

Para cumprir a sua missão Garcia terá alugado uma carrinha na localidade francesa de Macon. A carrinha carregada com as armas e com o material explosivo terá sido escoltado por um automóvel conduzido por Yánez e terão cruzado a fronteira em La Junquera (Girona).

À noite, uma patrulha da Guarda Civil espanhola que pertencia ao posto de Bermillo de Sayago (Zamora) localizou a carrinha estacionada na rua a alguns metros de um cruzamento e com as luzes de emergência ligadas. Ao aperceber-se da presença da Guarda a viatura retomou a marcha o que obrigou os agentes a identificarem os seus ocupantes.

Uma vez parada a carrinha, o guarda espanhol apercebeu-se da presença de engenhos metálicos de grande dimensão e pediu então o apoio do seu colega, ocasião que foi aproveitada por Garcia para o empurrar com alguma violência para o interior do veículo. Aproveitando a confusão que então se gerou apoderou-se do automóvel da brigada da Guarda Civil e arrancou em direção à vila de Fermoselle.

Antes de chegar à cidade abandonou o carro e tentou roubar um carro civil que entretanto passava agredindo o seu condutor. Conseguiu passar a fronteira de Bemposta-Mogadouro e foi detido vinte minutos depois na vila portuguesa de Moncorvo. A sua camarada Yánez que também conseguiu arranjar meios para atravessar a fronteira e refugiar-se em Portugal acabaria por ser detida na Vilanova da Foz.

Devido a estes crimes o Ministério Público acusa também os dois alegados membros da ETA dos crimes de ofensas terroristas à integridade física, uma delas a um membro das foprças de segurança espanhol, e pelo roubo dos veículos.

Um terceiro arguido, Luis Maria Cengotitabengoa, ouviu a acusação pedir cinco anos de prisão por alegada colaboração com o grupo terrorista apor ter fornecido um passaporte aos militantes bascos que o fizeram chegar ao seu irmão Andoni que foi detido em 11 de março de 2010 quando tentava apanhar um avião para a Venezuela. O arguido rejeitou liminarmente as acusações que negou em absoluto e declarou-se inocente.
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