Tribunal nega amnistia e impede jornalista venezuelano de nomear advogado
O jornalista venezuelano Ismael Gabriel González, colaborador do partido Vente Venezuela, liderado pela opositora Maria Corina Machado, disse que um tribunal lhe negou amnistia apesar de ter sido notificado de que seria um dos beneficiados.
"Para minha surpresa, quando cheguei ao tribunal, disseram-me que eu não beneficiava de qualquer amnistia, que não havia nada registado no sistema e que se eu estava numa lista, já não estava", denunciou na segunda-feira na rede social X.
Na mesma rede social, o jornalista explicou que, no início de março, foi informado pelo 3.º Tribunal de Julgamento de Terrorismo que tinha sido beneficiado pela amnistia. Foi indicado que regressasse em 15 dias para receber o documento formal da decisão.
"Hoje, fui formalmente notificado da recusa do arquivamento do processo contra mim e não me foi permitido nomear defensor privado, nem solicitar cópias do processo, o que demonstra que a Lei de Amnistia é aplicada a critério dos mesmos juízes que permitiram o nosso sequestro, e que não existe vontade política para avançar no sentido da restauração do Estado de Direito", explica.
Ismael Gabriel González foi detido a 17 de junho de 2024 em Caracas por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN, serviços de informações) e acusado dos crimes de incitação ao ódio e associação para cometer delito.
Em 14 de janeiro de 2026, o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) anunciou que tinha sido libertado, após permanecer quase 19 meses em prisão.
Entretanto, o SNTP anunciou hoje que outro jornalista venezuelano, Ramón Centeno, foi absolvido por um tribunal de Caracas por não se terem encontrado elementos que o vinculassem aos crimes de que era acusado - tráfico de influências, usurpação de funções e associação para cometer delitos.
"Foram quatro anos em que o jornalista Ramón Centeno foi vítima de injustiça num processo cruel, viciado e que violou os seus direitos", explica o SNTP na X.
Segundo as organizações não-governamentais e ativistas dos direitos humanos pelo menos seis jornalistas continuam presos por motivos políticos na Venezuela.
Segundo a organização não governamental Justiça, Encontro e Perdão na Venezuela estão detidas por motivos políticos 674 pessoas.