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Trinta membros da oposição do Uganda mortos e 2.000 detidos

Trinta membros da oposição do Uganda mortos e 2.000 detidos

O chefe do exército do Uganda, Muhoozi Kainerugaba, filho do Presidente reeleito, Yoweri Museveni, anunciou hoje a morte de 30 membros do partido do opositor Bobi Wine e a detenção de 2.000 apoiantes deste último.

Lusa /
Abubaker Lubowa - Reuters

Yoweri Museveni, ex-guerrilheiro de 81 anos, conquistou na semana passada um sétimo mandato presidencial consecutivo, segundo a comissão eleitoral, na sequência de uma eleição criticada por observadores e ONG, que apontaram, nomeadamente, o bloqueio da internet durante vários dias e a repressão da oposição.

O principal adversário de Museveni, Bobi Wine [nome verdadeiro Robert Kyagulanyi], um antigo cantor de 43 anos, fugiu após uma ação das forças de segurança na sua residência, no dia seguinte às eleições, cujos resultados considerou fraudulentos.

"Até agora, matámos 30 terroristas da NUP [Plataforma de Unidade Nacional, partido de Wine]", declarou hoje na rede social X o filho do Presidente.

"Detivemos mais de 2.000 arruaceiros que o Kabobi [alcunha que dá a Wine] pensava utilizar", acrescentou Kainerugaba, de 51 anos, que é conhecido pelas publicações incendiárias nas redes sociais e que não esconde a ambição de suceder ao pai.

No início desta semana, tinha saído de um silêncio na rede social mantido ao longo da campanha, afirmando querer a morte de Bobi Wine.

A polícia ugandesa anunciou também na quinta-feira a detenção de um deputado da NUP, Muwanga Kivumbi, que tinha declarado à agência France-Presse (AFP) que 10 apoiantes tinham sido mortos pelo exército dentro da sua residência em Butambala [centro] na noite das eleições.

Esta detenção está, segundo as forças de ordem, "ligada aos recentes incidentes de violência política em Butambala".

Mais de 600 ugandeses foram detidos por se terem manifestado contra a vitória de Yoweri Museveni, indicou também na quarta-feira um advogado da oposição, Erias Lukwago.

"Os nossos clientes negam todas as acusações. Alguns afirmam ter sido detidos em suas casas pela polícia e encarcerados antes de serem apresentados [em tribunal] por acusações das quais nada sabiam", disse Lukwago à AFP.

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