Tripoli decide boicotar empresas búlgaras
A Líbia decidiu boicotar as empresas da Bulgária devido às "posições negativas do governo" de Sófia no caso das enfermeiras búlgaras condenadas à morte por um tribunal líbio, que as declarou culpadas da eclosão de uma epidemia de SIDA, informou hoje fonte oficial.
A decisão foi tomada devido às "pressões dos familiares das vítimas (líbias), ao não reconhecimento do governo búlgaro da responsabilidade das enfermeiras no crime, às tentativas daquele governo de atentar contra a reputação da Líbia e às suas posições negativas relativamente à Líbia", declarou um alto responsável, que pediu para não ser identificado.
Cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestiniano foram condenados à morte em Maio de 2004 pela justiça líbia, que os considerou culpados de terem contaminado 380 crianças líbias com o vírus da SIDA através de transfusões sanguíneas.
Quarenta e sete crianças já morreram na sequência desta transfusão.
"A Líbia manteve, durante todo este período, boas relações com a Bulgária e com o povo búlgaro, abrindo o seu mercado às empresas búlgaras", assegurou o responsável.
"Mas, na sequência das posições (búlgaras) negativas, o governo líbio começou a tomar medidas no sentido de boicotar as suas empresas", adiantou.
Um outro responsável precisou, no entanto, que os contratos já assinados com empresas búlgaras "continuam válidos".
"A Líbia, contudo, não autorizará novos projectos com empresas búlgaras que trabalhem no país nos sectores do petróleo, saúde e construção", esclareceu.
O Supremo Tribunal da Líbia deverá pronunciar-se a 31 de Maio sobre o apelo apresentado pelas enfermeiras e pelo médico.
Para libertar os condenados, Tripoli exige compensações iguais às atribuídas pela Líbia aos familiares das vítimas do atentado contra o avião norte-americano da Pan Am, em Lockerbie, em 1988. A Bulgária recusou.