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Trump acusa Reino Unido de "grande estupidez" por ceder a soberania das ilhas Chagos
O presidente dos EUA sugeriu que a decisão do Reino Unido de ceder as Ilhas Chagos às Ilhas Maurícias está entre as razões pelas quais deseja anexar a Gronelândia. Trump afirma que a deliberação de Londres é um ato de "grande estupidez".
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou esta terça-feira que o acordo do Reino Unido para ceder a soberania da ilha de Diego Garcia, no arquipélago de Chagos, às Maurícias foi um "ato de total fraqueza", acrescentando que se trata de "mais uma numa longa lista de razões de segurança nacional pelas quais a Gronelândia precisa de ser adquirida".
O presidente dos EUA, que se desloca a Davos, na Suíça, para o Fórum Económico Mundial, fez a declaração ao intensificar a sua retórica sobre a aquisição do território ártico.
“Surpreendentemente, o nosso ‘brilhante’ aliado da NATO, o Reino Unido, está a planear entregar a Ilha de Diego Garcia, onde se encontra uma base militar vital dos EUA, às Maurícias, e fazê-lo SEM QUALQUER MOTIVO”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Para o presidente norte-americano, “não há dúvida de que a China e a Rússia se aperceberam deste ato de total fraqueza. Estas são potências internacionais que apenas reconhecem a FORÇA, e é por isso que os Estados Unidos da América, sob a minha liderança, são agora, passado apenas um ano, respeitados como nunca antes”.
“O Reino Unido ceder terras extremamente importantes é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ e é mais um na longa lista de razões de segurança nacional pelas quais a Gronelândia precisa de ser adquirida”, acusou.
Trump publicou durante a madrugada de terça-feira uma série de mensagens na plataforma Truth Social sobre a anexação da Gronelândia, território da Dinamarca, aliada dos EUA na NATO.
Numa das mensagens, o presidente norte-americano afirmou que teve uma conversa telefónica "muito boa" com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sobre a Gronelândia.
"Como já deixei bem claro a todos, a Gronelândia é essencial para a segurança nacional e mundial. Não há volta atrás - nisto, todos concordam!”, acrescentou Trump numa publicação no Truth Social. O acordo de Chagos "garante as operações na base EUA-Reino Unido", respondeu Downing Street a Trump.
O ministro britânico das Relações Intergovernamentais, Darren Jones, afirmou esta terça-feira que o acordo era a melhor opção para a base militar, permitindo-lhe operar durante os próximos 100 anos.
"O tratado já foi assinado", disse Jones à TimesRadio, acrescentando que isso não podia ser alterado agora.
"Acreditamos que a melhor forma de o Reino Unido responder... é convocando representantes de todo o mundo, usando a nossa influência diplomática e a relação do primeiro-ministro com o presidente para proteger os interesses britânicos", acrescentou.
Downing Street já afirmou que o acordo é uma “necessidade legal” e conta com o apoio dos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que fazem parte de uma parceria de partilha de informações de inteligência com o Reino Unido. Em 2021, um tribunal da ONU emitiu um parecer consultivo afirmando que o Reino Unido não tinha soberania legítima sobre o arquipélago de Chagos.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, construiu uma relação sólida com Trump, tornando-se o primeiro líder a garantir um acordo para reduzir algumas tarifas, mas a relação entre ambos foi abalada nos últimos dias com desentendimentos sobre a abordagem de Trump em relação à Gronelândia e agora os seus comentários sobre Diego Garcia.Acordo assinado em 2025No ano passado, Trump indicou que estaria preparado para apoiar o acordo do Reino Unido para transferir a soberania das ilhas Chagos para as Maurícias.
"O presidente Trump saudou o acordo, juntamente com outros aliados, porque veem a importância estratégica desta base e que não podemos ceder o território a outros que procurem prejudicar-nos", afirmou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, quando anunciou que o Reino Unido tinha assinado o acordo, a 22 de maio de 2025.
O acordo de transferência de Chagos, aprovado na altura pelos Estados Unidos, foi assinado por Londres em maio último. O plano prevê que o Reino Unido devolve as Ilhas Chagos às Maurícias, mas mantém um arrendamento de 99 anos da ilha principal, Diego Garcia, para manter uma base militar conjunta EUA-Reino Unido nesta região estratégica.Na altura, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também saudou o acordo e emitiu um comunicado dizendo que Trump tinha "expressado o seu apoio a esta conquista monumental".
Rubio sublinhou que o acordo "reflete a força duradoura da relação EUA-Reino Unido".
"Estamos prontos para continuar a nossa colaboração para promover a paz, a segurança e a prosperidade no Oceano Índico e fora dele", acrescentou.
O acordo foi assinado após a visita de Starmer à Sala Oval em fevereiro do ano passado, durante a qual o presidente dos EUA indicou que estaria disposto a apoiar o acordo de Chagos.
O acordo do Reino Unido com as Maurícias foi adiado após a tomada de posse de Trump em janeiro de 2025, uma vez que Londres queria dar tempo ao novo governo para examinar os detalhes do plano.
"Estão a falar de um arrendamento de longo prazo, robusto, um arrendamento muito sólido, de cerca de 140 anos, na verdade", considerou Trump na altura. "É muito tempo, e penso que estaremos inclinados a concordar com o seu país".
De acordo com o plano de Chagos, o Reino Unido deverá arrendar Diego Garcia por 99 anos, com opção de prorrogação por mais 40 anos.
O que é o acordo das Ilhas Chagos
O Reino Unido concordou com um acordo no ano passado para transferir a soberania das ilhas Chagos para as Maurícias, mantendo o controlo de uma base militar conjunta britânico-americana em Diego Garcia, a maior ilha do território.
O acordo foi o resultado de longas negociações iniciadas pelo anterior governo conservador, depois de um parecer consultivo de 2019 do Tribunal Internacional de Justiça ter recomendado que o Reino Unido cedesse o controlo.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o acordo de 99 anos para o arrendamento de Diego Garcia custará ao Reino Unido 101 milhões de libras por ano.
As ilhas foram separadas das Maurícias em 1965, quando as Maurícias ainda eram uma colónia britânica.
O Reino Unido comprou as Ilhas Chagos por três milhões de libras em 1968 e deslocou à força cerca de duas mil pessoas – para dar lugar à base das forças armadas britânicas e americanas – num ato amplamente considerado um crime contra a humanidade e um exemplo vergonhoso de colonialismo pós-guerra. No entanto, as Maurícias argumentam que foram ilegalmente forçadas a cedê-las como parte de um acordo para obter a independência.
A Grã-Bretanha convidou os EUA a construir uma base militar em Diego Garcia, o que retirou milhares de pessoas das suas casas.
Para além de criar um fundo de 40 milhões de libras para os chagossianos expulsos das ilhas, o Reino Unido concordou em pagar às Maurícias pelo menos 120 milhões de libras anuais durante os 99 anos do acordo, um custo total em termos nominais de pelo menos 13 mil milhões de libras.
Alguns destes chagossianos foram parar às Maurícias e às Seychelles, mas outros estabeleceram-se no Reino Unido, principalmente em Crawley, West Sussex.
O presidente dos EUA, que se desloca a Davos, na Suíça, para o Fórum Económico Mundial, fez a declaração ao intensificar a sua retórica sobre a aquisição do território ártico.
“Surpreendentemente, o nosso ‘brilhante’ aliado da NATO, o Reino Unido, está a planear entregar a Ilha de Diego Garcia, onde se encontra uma base militar vital dos EUA, às Maurícias, e fazê-lo SEM QUALQUER MOTIVO”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
Para o presidente norte-americano, “não há dúvida de que a China e a Rússia se aperceberam deste ato de total fraqueza. Estas são potências internacionais que apenas reconhecem a FORÇA, e é por isso que os Estados Unidos da América, sob a minha liderança, são agora, passado apenas um ano, respeitados como nunca antes”.
“O Reino Unido ceder terras extremamente importantes é um ato de GRANDE ESTUPIDEZ e é mais um na longa lista de razões de segurança nacional pelas quais a Gronelândia precisa de ser adquirida”, acusou.
Trump publicou durante a madrugada de terça-feira uma série de mensagens na plataforma Truth Social sobre a anexação da Gronelândia, território da Dinamarca, aliada dos EUA na NATO.
Numa das mensagens, o presidente norte-americano afirmou que teve uma conversa telefónica "muito boa" com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sobre a Gronelândia.
"Como já deixei bem claro a todos, a Gronelândia é essencial para a segurança nacional e mundial. Não há volta atrás - nisto, todos concordam!”, acrescentou Trump numa publicação no Truth Social. O acordo de Chagos "garante as operações na base EUA-Reino Unido", respondeu Downing Street a Trump.
O ministro britânico das Relações Intergovernamentais, Darren Jones, afirmou esta terça-feira que o acordo era a melhor opção para a base militar, permitindo-lhe operar durante os próximos 100 anos.
"O tratado já foi assinado", disse Jones à TimesRadio, acrescentando que isso não podia ser alterado agora.
"Acreditamos que a melhor forma de o Reino Unido responder... é convocando representantes de todo o mundo, usando a nossa influência diplomática e a relação do primeiro-ministro com o presidente para proteger os interesses britânicos", acrescentou.
Downing Street já afirmou que o acordo é uma “necessidade legal” e conta com o apoio dos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que fazem parte de uma parceria de partilha de informações de inteligência com o Reino Unido. Em 2021, um tribunal da ONU emitiu um parecer consultivo afirmando que o Reino Unido não tinha soberania legítima sobre o arquipélago de Chagos.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, construiu uma relação sólida com Trump, tornando-se o primeiro líder a garantir um acordo para reduzir algumas tarifas, mas a relação entre ambos foi abalada nos últimos dias com desentendimentos sobre a abordagem de Trump em relação à Gronelândia e agora os seus comentários sobre Diego Garcia.Acordo assinado em 2025No ano passado, Trump indicou que estaria preparado para apoiar o acordo do Reino Unido para transferir a soberania das ilhas Chagos para as Maurícias.
"O presidente Trump saudou o acordo, juntamente com outros aliados, porque veem a importância estratégica desta base e que não podemos ceder o território a outros que procurem prejudicar-nos", afirmou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, quando anunciou que o Reino Unido tinha assinado o acordo, a 22 de maio de 2025.
O acordo de transferência de Chagos, aprovado na altura pelos Estados Unidos, foi assinado por Londres em maio último. O plano prevê que o Reino Unido devolve as Ilhas Chagos às Maurícias, mas mantém um arrendamento de 99 anos da ilha principal, Diego Garcia, para manter uma base militar conjunta EUA-Reino Unido nesta região estratégica.Na altura, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também saudou o acordo e emitiu um comunicado dizendo que Trump tinha "expressado o seu apoio a esta conquista monumental".
Rubio sublinhou que o acordo "reflete a força duradoura da relação EUA-Reino Unido".
"Estamos prontos para continuar a nossa colaboração para promover a paz, a segurança e a prosperidade no Oceano Índico e fora dele", acrescentou.
O acordo foi assinado após a visita de Starmer à Sala Oval em fevereiro do ano passado, durante a qual o presidente dos EUA indicou que estaria disposto a apoiar o acordo de Chagos.
O acordo do Reino Unido com as Maurícias foi adiado após a tomada de posse de Trump em janeiro de 2025, uma vez que Londres queria dar tempo ao novo governo para examinar os detalhes do plano.
"Estão a falar de um arrendamento de longo prazo, robusto, um arrendamento muito sólido, de cerca de 140 anos, na verdade", considerou Trump na altura. "É muito tempo, e penso que estaremos inclinados a concordar com o seu país".
De acordo com o plano de Chagos, o Reino Unido deverá arrendar Diego Garcia por 99 anos, com opção de prorrogação por mais 40 anos.
O que é o acordo das Ilhas Chagos
O Reino Unido concordou com um acordo no ano passado para transferir a soberania das ilhas Chagos para as Maurícias, mantendo o controlo de uma base militar conjunta britânico-americana em Diego Garcia, a maior ilha do território.
O acordo foi o resultado de longas negociações iniciadas pelo anterior governo conservador, depois de um parecer consultivo de 2019 do Tribunal Internacional de Justiça ter recomendado que o Reino Unido cedesse o controlo.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o acordo de 99 anos para o arrendamento de Diego Garcia custará ao Reino Unido 101 milhões de libras por ano.
As ilhas foram separadas das Maurícias em 1965, quando as Maurícias ainda eram uma colónia britânica.
O Reino Unido comprou as Ilhas Chagos por três milhões de libras em 1968 e deslocou à força cerca de duas mil pessoas – para dar lugar à base das forças armadas britânicas e americanas – num ato amplamente considerado um crime contra a humanidade e um exemplo vergonhoso de colonialismo pós-guerra. No entanto, as Maurícias argumentam que foram ilegalmente forçadas a cedê-las como parte de um acordo para obter a independência.
A Grã-Bretanha convidou os EUA a construir uma base militar em Diego Garcia, o que retirou milhares de pessoas das suas casas.
Para além de criar um fundo de 40 milhões de libras para os chagossianos expulsos das ilhas, o Reino Unido concordou em pagar às Maurícias pelo menos 120 milhões de libras anuais durante os 99 anos do acordo, um custo total em termos nominais de pelo menos 13 mil milhões de libras.
Alguns destes chagossianos foram parar às Maurícias e às Seychelles, mas outros estabeleceram-se no Reino Unido, principalmente em Crawley, West Sussex.
O acordo ainda não foi ratificado pelo governo britânico e não foi incorporado na legislação nacional.
c/Agências