Trump ameaça duplicar tarifas sobre automóveis canadianos para 50%

Trump ameaça duplicar tarifas sobre automóveis canadianos para 50%

Falha nas negociações leva Trump a querer que taxa entre em vigor já a partir de 1 de janeiro de 2027.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Presidente dos EUA, Donald Trump, e primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, terminaram a reunião de sexta-feira sem qualquer acordo. Jim Watson / AFP

O presidente dos Estados Unidos voltou a aumentar a pressão sobre o Canadá e ameaçou agravar a guerra comercial entre os dois países.

Donald Trump anunciou que as tarifas sobre os automóveis, camiões e os componentes automóveis importados do Canadá vão subir para 50 por cento já a partir de 1 de janeiro do próximo ano.

A decisão norte-americana surge após o fracasso das negociações comerciais entre Washington e Ottawa, capital do Canadá.

De acordo com a Reuters, a proposta que esteve em cima da mesa previa uma redução dos atuais 25 para 15 por cento da tarifa máxima aplicada aos automóveis e veículos comerciais ligeiros canadianos. Também, no que diz respeito às tarifas sobre o alumínio e o aço, deveriam baixar de 50 para 25 por cento. 
Na sexta-feira, as negociações entre os dois países terminaram sem qualquer acordo, depois de continuarem a existir divergências sobre vários pontos, incluindo a possibilidade de as reduções tarifárias abrangerem também camiões médios e pesados.

Perante o impasse, Donald Trump endureceu o discurso. "Construa nos EUA e não haverá tarifas", escreveu o Presidente norte-americano, numa mensagem publicada esta segunda na rede Trusth Social dirigida à indústria automóvel canadiana.


Trump afirmou ainda que o Canadá "deixará de ser tratado como um Estado" e garantiu que os EUA "não precisam do Canadá".

A ameaça surge num contexto de forte dependência comercial entre os dois países. 

No ano passado, o comércio de bens e serviços entre os Estados Unidos e o Canadá atingiu 872,3 mil milhões de dólares (cerca de 748 mil milhões de euros), embora tenha recuado 4,6 por cento.
Mais de três quartos das exportações canadianas têm como destino o mercado norte-americano, enquanto quase metade das importações do Canadá provém dos Estados Unidos.

"A ameaça de tarifa americana sobre autopeças canadianas será paga pela empresa americana", afirmou Flavio Volpe, presidente da Associação Canadiana de Fabricantes de Autopeças. Sem determinados componentes "a montagem de automóveis em todos os Estados Unidos iria parar", acrescentou.

Do lado canadiano, Ottawa anunciou tarifas sobre alguns produtos norte-americanos já a partir de 8 de setembro. Uma resposta que surge sob a forma de retaliação às taxas de 50 por cento impostas por Trump sobre cerca de 20 mil milhões de dólares (à volta de 17 mil milhões de euro) em produtos canadianos.
Canadá rejeita acordo comercial "a qualquer preço"

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, já classificou o conflito como uma guerra comercial. "Estamos em guerra quando somos atacados. Nós fomos atacados", afirmou.

Em reação às ameaças anunciadas por Trump, o primeiro-ministro do Canadá diz que não aceite um acordo comercial "a qualquer preço" ou "em qualquer momento" com os Estados Unidos.

Em declarações aos jornalistas, Mark Carney explicou que "o objetivo das negociações comerciais com os Estados Unidos sempre foi obter o melhor acordo possível para os canadianos", esclareceu esta segunda-feira, durante o anúncio de novos investimentos num estaleiro naval.
Setor olha com cautela ameaça de Trump
A ameaça por parte de Donald Trump é recebida pela indústria automóvel com alguma cautela.

Ainda que sob anonimato, alguns responsáveis pelo setor, citados pela Agência Reuters, recordam que Trump já anunciou anteriormente algumas tarifas que não se concretizaram. Consideram também que uma medida desta dimensão possa desencadear uma forte retaliação por parte do Canadá.

Aliás, o próprio calendário da ameaça (as tarifas devem entrar em vigor no primeiro dia do ano de 2027), pode, de acordo com alguns responsáveis do setor, deixar margem para uma nova ronda de negociações entre os dois países antes da aplicação das tarifas.

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