Trump ameaça retirar apoio ao Iraque se Al-Maliki regressar ao poder

Trump ameaça retirar apoio ao Iraque se Al-Maliki regressar ao poder

O Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou hoje retirar o apoio norte-americano ao Iraque caso o ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki (2006-2014) regresse ao poder no país árabe.

Lusa /

"Ouvi dizer que o grande país do Iraque pode estar a tomar uma decisão muito errada ao reinstalar Nouri al-Maliki como primeiro-ministro. Da última vez que Maliki esteve no poder, o país mergulhou na pobreza e no caos total. Não podemos permitir que isso volte a acontecer", frisou Trump numa publicação na sua rede social, Truth Social.

O líder republicano realçou que Al-Maliki tem uma "ideologia insana" e alertou que, se for eleito, "os Estados Unidos não vão ajudar mais o Iraque".

"Se não estivermos lá para ajudar, o Iraque tem zero hipóteses de sucesso, prosperidade ou liberdade. Vamos tornar o Iraque grande outra vez", concluiu.

A aliança xiita conhecida como Quadro de Coordenação, que domina o Parlamento iraquiano, anunciou no sábado que escolheu oficialmente Al-Maliki como seu candidato a primeiro-ministro.

Após as eleições de novembro, o Parlamento iraquiano deverá eleger o Presidente, que por sua vez deverá nomear um primeiro-ministro para formar Governo.

A situação preocupa os Estados Unidos, dado que consideram Al-Maliki muito alinhado com o Irão e que os seus anteriores governos foram altamente sectários, marcados pela marginalização dos sunitas, criando terreno fértil para a ascensão do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

Também o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, advertiu numa conversa telefónica com o atual primeiro-ministro, Mohammad Shia al-Sudani, contra a formação de um Governo pró-Irão, alertando que um executivo controlado por Teerão "não pode priorizar com sucesso os próprios interesses" iraquianos.

Donald Trump revelou também hoje que falou com o líder sírio Ahmad al-Charaa, declarando que "tudo está a correr muito bem", enquanto as forças governamentais sírias e os combatentes curdos prolongaram o cessar-fogo no norte do país.

O Presidente sírio reafirmou, por sua vez, ao seu homólogo norte-americano, o "total compromisso da Síria com a sua integridade territorial e soberania nacional, bem como o desejo do Estado de preservar as suas instituições e promover a paz civil, enfatizando a importância de unificar os esforços internacionais para impedir o regresso de organizações terroristas, principalmente o EI", segundo uma nota da presidência síria.

França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos apelaram hoje às forças do Governo sírio e aos combatentes curdos para que "evitem qualquer vazio de segurança" que possa beneficiar os `jihadistas` do EI.

Os Estados Unidos, a França e o Reino Unido realizaram ataques aéreos contra o EI na Síria nas últimas semanas para impedir o ressurgimento da organização, que conseguiu controlar um vasto território entre a Síria e o Iraque durante a década de 2010, antes de ser derrotada pela coligação internacional em 2019.

A conversa entre Trump e al-Charaa ocorreu antes da viagem deste último à Rússia, na quarta-feira, onde está previsto um encontro com Vladimir Putin, o segundo entre os dois líderes desde a deposição de Bashar al-Assad, aliado do Kremlin, em 2024.

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