Trump anuncia acordo entre EUA e Dinamarca para "controlo permanente" da segurança na Gronelândia

Trump anuncia acordo entre EUA e Dinamarca para "controlo permanente" da segurança na Gronelândia

O presidente dos Estados Unidos anunciou esta sexta-feira que assinou um entendimento com a Dinamarca e Gronelândia que concede a Washington um "controlo permanente" sobre a segurança da ilha. Segundo Trump, este acordo prevê que nenhum "adversário" norte-americano possa ter bases ou presença militar naquele território sem autorização.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Evan Vucci - Reuters

Donald Trump afirmou mesmo que obteve, por via deste acordo, um “controlo permanente de segurança" no território ártico sob jurisdição dinamarquesa.

Segundo o presidente norte-americano, o entendimento vai impedir qualquer presença militar "adversária" dos Estados Unidos na Gronelândia. 

Na rede Truth Social, Donald Trump explica que este acordo vai ao encontro de "TODAS as nossas preocupações" dos norte-americanos. "Não há NENHUM CUSTO para os Estados Unidos!", acrescenta. 

"Sob as minhas ordens, trabalhámos com os representantes da Dinamarca e Gronelândia para garantir que os Estados Unidos vão ter PARA SEMPRE a capacidade total de fazer o que for necessário na Gronelândia para assegurar e defender a segurança da Gronelândia e dos Estados Unidos", acrescentou. 

Este acordo prevê que "nenhum adversário norte-americano possa ter ALGUMA VEZ uma base na Gronelândia, uma presença militar na Gronelândia ou fazer investimentos sensíveis na Gronelândia sem a nossa aprovação expressa e por escrito". 


Acordo "bom para a NATO e para a Europa"

Copenhaga já veio confirmar o acordo alcançado com Donald Trump. Para a Dinamarca, este entendimento é "bom para a NATO e para a Europa".  

"Saúdo a perspetiva de um bom acordo para a Gronelândia, o Reino da Dinamarca e os Estados Unidos", declarou a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, em comunicado.

A responsável indicou ainda que o documento será assinado na próxima semana, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. 

Minutos antes do anúncio de Trump, a agência Reuters adiantava que os Estados Unidos e a Dinamarca se preparavam para fechar um acordo sobre o estatuto da Gronelândia. 

O entendimento, escrevia a agência, daria ampla presença militar aos EUA na Gronelândia. De acordo com duas fontes citadas pela Reuters, as partes envolvidas discutiram os termos de um acordo que permita a construção de uma "Cúpula Dourada", ou seja, um enorme escudo antimíssil para assegurar a proteção do território norte-americano.  
Um acordo que "não tem fim"

Ao longo dos últimos anos, foram várias as ocasiões em que o presidente norte-americano expressou o desejo de aumentar a influência dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, um território vasto e profusamente rico em recursos naturais, mas com apenas cerca de 57 mil habitantes.

No segundo mandato, Trump chegou mesmo a admitir a possibilidade de adquirir ou tomar a Gronelândia pela força, sendo que se trata de um território autónomo com aspirações à independência, mas que tem continuado sob controlo dinamarquês. Este acordo agora anunciado visa nomeadamente proteger o território de influência chinesa e russa, ainda que não faça qualquer menção direta a estas duas nações.

Com o degelo no Ártico, a discussão sobre o domínio e influência da Gronelândia e áreas circundantes pelas grandes potências adensou-se, sendo que Estados Unidos já tinham em vigor um acordo de defesa com mais de 70 anos - assinado em 1951 e atualizado em 2004 - que garantia total liberdade aos norte-americanos para implementarem bases ou forças naquele território, desde que notificassem as autoridades dinamarquesas.

De assinalar que os Estados Unidos já têm a base militar de Pituffik na Gronelândia desde 1951. Washington tem jurisdição exclusiva sobre estas instalações. Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a ter 6.000 militares alocados nesta base. Atualmente, são cerca de 150 mil. 

Na mensagem publicada esta sexta-feira na rede Truth Social, Donald Trump regojiza-se com o entendimento, afirmando que os vários presidentes norte-americanos "reconheceram a importância estratégica da Gronelândia" por mais de 100 anos, mas "NENHUM deles conseguiu fazer alguma coisa a esse respeito". 

O inquilino da Casa Branca diz agora ter resolvido esta questãode forma "permanente e definitiva". "Este é um acordo de 'vida infinita', não tem fim!", sublinha ainda, acrescentando que os Estados Unidos vão "iniciar de imadiato" o desenvolvimento de "uma grande presença militar" em boa parte do território.

Promete, no entanto, trabalhar "com o povo da Gronelândia", numa decisão que considera "excelente para os Estados Unidos, a Dinamarca, a Gronelândia e todos os nossos aliados". 

"Este é um sonho tornado realidade para os Estados Unidos", conclui. 

(com agências)

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