Mundo
Trump, armas nucleares e clima. O Relógio do Apocalipse está a dois minutos da meia-noite
É um relógio simbólico, a cargo dos especialistas do Bulletin of the Atomic Scientists, que representa a aproximação do mundo ao Apocalipse. Em 2017, o fim do mundo ficou a dois minutos da “meia-noite”, ou seja, a dois minutos simbólicos de uma eventual catástrofe global. Não estava tão próximo disso desde 1953, no auge da Guerra Fria.
As armas nucleares, a retórica dos políticos e alterações climáticas colocaram o mundo a apenas dois minutos de um hipotético fim da humanidade. Através do “Relógio do Apocalipse”, o Bulletin of the Atomic Scientists transforma todos os anos os fatores de risco de colapso global em minutos em falta para as 12 badaladas.
Esta quinta-feira, os cientistas anunciaram que o relógio andou 30 segundos para a frente em 2017, fixando-se nos dois minutos para a meia-noite.
“O falhanço do Presidente Trump e de outros líderes mundiais em lidar com ameaças iminentes de uma guerra nuclear e o aquecimento global” são os dois principais fatores enumerados pelos especialistas, que apontam ainda para a "espiral descendente na retórica nuclear" entre o Presidente norte-americano e o homólogo norte-coreano.
“O mundo está, não só mais perigoso do que no ano passado. Está mais perigoso que nunca desde a II Guerra Mundial”, pode ler-se no relatório relativo ao ano de 2017.
Ameça é real e imediata
Os cientistas consideram ainda que a ameaça é real e ”imediata”, destacando o aparente “progresso notável” do programa nuclear norte-coreano durante o ano passado. Uma situação que, alertam, “aumenta os riscos para o próprio país, para a região e para os Estados Unidos”.
Este relógio metafórico, que avalia de ano a ano a distância a que a humanidade se encontra de uma eventual catástrofe a nível global. Para ver o ponteiro do perigo tão próximo da meia-noite é preciso recuar a 1953, ano em que Estados Unidos e União Soviética testaram a bomba de hidrogénio.
Esta evolução negativa que já era esperada por cientistas e politólogos, perante a retórica belicista de Donald Trump e de Kim Jong-un, mas também devido os vários lançamentos balísticos durante o último ano.
“É muito difícil que o relógio não se mova cada vez mais para a frente. Temos membros do Congresso, conselheiros da Casa Branca, e mesmo o próprio Presidente a sugerir que uma guerra com um Estado nuclear não é provável, mas potencialmente desejável. Esta situação é pouco usual e perturbadora", refere Alex Wellerstein, especialista em história das armas nucleares no Stevens Institute of Technology, em declarações ao jornal Washington Post.
E o clima?
Desde que foi criado, em 1947, este relógio tem oscilado entre os dois e os 17 minutos. Este valor máximo, sinal de uma acentuada redução dos riscos globais, foi registado no início dos anos 90, com a queda do Muro de Berlim e após a dissolução da URSS.
A assinatura, em 1991, do primeiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I) entre os dois principais protagonistas da Guerra Fria, só ajudou a distanciar ainda mais o mundo do perigo iminente.
O relógio foi inicialmente criado por um grupo de cientistas, especializados em armas nucleares, cada vez mais preocupados com os desenvolvimentos da bomba atómica em várias zonas do mundo logo após a Segunda Guerra Mundial. Se este é o principal fator a influenciar a oscilação dos ponteiros, em 2007 foi a vez de as alterações climáticas e o aquecimento constarem na lista de principais ameaças à estabilidade global.
“Concluímos que os perigos que são colocados pelas alterações climáticas são quase tão terríveis como os provocados pelas armas nucleares”, apontava então o relatório com 11 anos.
No documento relativo a 2017, os cientistas destacam que a Administração Trump tomou decisões que "pioram" os efeitos das alterações climáticas, bem como o impacto dos desastres relacionados com o clima.
"Apesar de estar em curso uma campanha sofisticada de desinformação, a cargo dos negacionistas climáticos, as consequências de um clima alterado atropelam-se e são um testemunho angustiante de uma realidade inegável", aponta o relatório divulgado esta quinta-feira.
Esta quinta-feira, os cientistas anunciaram que o relógio andou 30 segundos para a frente em 2017, fixando-se nos dois minutos para a meia-noite.
“O falhanço do Presidente Trump e de outros líderes mundiais em lidar com ameaças iminentes de uma guerra nuclear e o aquecimento global” são os dois principais fatores enumerados pelos especialistas, que apontam ainda para a "espiral descendente na retórica nuclear" entre o Presidente norte-americano e o homólogo norte-coreano.
“O mundo está, não só mais perigoso do que no ano passado. Está mais perigoso que nunca desde a II Guerra Mundial”, pode ler-se no relatório relativo ao ano de 2017.
Ameça é real e imediata
Os cientistas consideram ainda que a ameaça é real e ”imediata”, destacando o aparente “progresso notável” do programa nuclear norte-coreano durante o ano passado. Uma situação que, alertam, “aumenta os riscos para o próprio país, para a região e para os Estados Unidos”.
Este relógio metafórico, que avalia de ano a ano a distância a que a humanidade se encontra de uma eventual catástrofe a nível global. Para ver o ponteiro do perigo tão próximo da meia-noite é preciso recuar a 1953, ano em que Estados Unidos e União Soviética testaram a bomba de hidrogénio.
Esta evolução negativa que já era esperada por cientistas e politólogos, perante a retórica belicista de Donald Trump e de Kim Jong-un, mas também devido os vários lançamentos balísticos durante o último ano.
“É muito difícil que o relógio não se mova cada vez mais para a frente. Temos membros do Congresso, conselheiros da Casa Branca, e mesmo o próprio Presidente a sugerir que uma guerra com um Estado nuclear não é provável, mas potencialmente desejável. Esta situação é pouco usual e perturbadora", refere Alex Wellerstein, especialista em história das armas nucleares no Stevens Institute of Technology, em declarações ao jornal Washington Post.
E o clima?
Desde que foi criado, em 1947, este relógio tem oscilado entre os dois e os 17 minutos. Este valor máximo, sinal de uma acentuada redução dos riscos globais, foi registado no início dos anos 90, com a queda do Muro de Berlim e após a dissolução da URSS.
A assinatura, em 1991, do primeiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I) entre os dois principais protagonistas da Guerra Fria, só ajudou a distanciar ainda mais o mundo do perigo iminente.
O relógio foi inicialmente criado por um grupo de cientistas, especializados em armas nucleares, cada vez mais preocupados com os desenvolvimentos da bomba atómica em várias zonas do mundo logo após a Segunda Guerra Mundial. Se este é o principal fator a influenciar a oscilação dos ponteiros, em 2007 foi a vez de as alterações climáticas e o aquecimento constarem na lista de principais ameaças à estabilidade global.
“Concluímos que os perigos que são colocados pelas alterações climáticas são quase tão terríveis como os provocados pelas armas nucleares”, apontava então o relatório com 11 anos.
No documento relativo a 2017, os cientistas destacam que a Administração Trump tomou decisões que "pioram" os efeitos das alterações climáticas, bem como o impacto dos desastres relacionados com o clima.
"Apesar de estar em curso uma campanha sofisticada de desinformação, a cargo dos negacionistas climáticos, as consequências de um clima alterado atropelam-se e são um testemunho angustiante de uma realidade inegável", aponta o relatório divulgado esta quinta-feira.