Trump assina legislação que impõe sanções à Rússia

O Presidente norte-americano promulgou esta quarta-feira a peça legislativa que enquadra a imposição de sanções à Rússia. A assinatura de Donald Trump dá força de lei ao diploma adotado pelo Congresso dos Estados Unidos para punir Moscovo pela presumível ingerência na última eleição presidencial.

RTP /
Donald Trump fotografado a 28 de julho na Base de Andrews, Maryland Jonathan Ernst - Reuters

Ingerência de Moscovo nas presidenciais de 2016, anexação da Crimeia e outras quantas violações das leis internacionais foram a base para um voto sólido do Congresso a favor das sanções contra Moscovo. A segunda e a terceira razão podem ser repescadas de qualquer manual de diplomacia, mas a primeira vincula Donald Trump na assinatura do que se assemelha a uma nota de meia culpa.

As sanções incluem Irão e Coreia do Norte, propondo ainda castigar cidadãos russos envolvidos em violações dos Direitos Humanos e responsáveis por ataques informáticos.Formalizar o castigo à Rússia poderá ser lido como o terceiro assalto, uma contra-resposta à decisão do Presidente russo, anunciada ao cair de domingo, de expulsar mais de sete centenas de funcionários do corpo diplomático norte-americano instalado na Rússia. Vladimir Putin ordenou-lhes que fizessem as malas e deixassem o país até final de agosto, no que era já uma resposta musculada à aprovação das sanções pelo Congresso norte-americano.

Será essa uma das leituras da nova fase das relações russo-americanas, encarar a assinatura de Trump - e a transformação do diploma em lei - como uma resposta à expulsão dos diplomatas. Mas Trump não deverá escapar a outra leitura, mais centrada na sua figura, centrada numa batalha que vem consumindo a sua imagem nestes primeiros meses de Administração. O Presidente acaba de pôr o carimbo presidencial num papel, preto no branco, que sanciona a intervenção do Kremlin nas eleições que o fizeram 45.º Presidente dos Estados Unidos, cenário que ele próprio vem negando de forma veemente.

Ainda recentemente o Presidente negava contactos com elementos russos durante a campanha, mesmo quando o New York Times revelou uma reunião "secreta" do seu filho mais velho com uma delegação enviada da Rússia. Pela altura desse encontro, não é segredo porque apareceu em todas as televisões do mundo, em plena campanha eleitoral Trump pedira a intervenção dos russos para ajudar a desmarcarar a adversária democrata, Hillary Clinton, através da revelação dos seus emails.

Agora, como um espectro que vagueia pela Casa Branca, a questão da intervenção russa volta a sentar-se com Trump na Sala Oval, enquanto assina esse papel que esclarece da existência, de facto, de uma interferência russa nas eleições de 8 de Novembro passado. Ainda que não tenha ainda sido estabelecido um conluio (collusion) envolvendo elementos da sua campanha.
Leituras trocadas dentro da equipa de Trump
A assinatura acaba de ser colocada no papel e começam a ser pedidas as primeiras reações aos elementos da Administração. As declarações do vice-presidente Mike Pence e do secretário de Estado, Rex Tillerson, denunciam leituras opostas.O projeto de lei aprovado pelas duas câmaras do Congresso norte-americano, Senado e Câmara dos Representantes, de forma massiva, deixando Trump de mãos atadas para deter as sanções à Rússia.

Rex Tillerson não escondeu ser contra esta lei, dizendo aos repórteres que tanto ele como Trump não acreditam que as sanções "sejam benéficas para os nossos esforços" para os esforços diplomáticos desenvolvidos no dossier Rússia.

Já o vice Mike Pence limitou-se a constatar que a assinatura do diploma mostra que Trump e o Congresso falam "a uma só voz".

A questão poderá ser outra, de acordo com as primeiras análises: que a votação do Congresso foi de tal modo sólida que não deu espaço ao Presidente para contrariar a decisão. O discurso de Trump, apesar da tensão com a Rússia, tem sido levado no sentido de distender a contenda e melhorar a relação entre os dois países. Esta lei parece preparada para deitar por terra qualquer via diplomática nos tempos mais próximos.
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