Trump ataca comediante Michelle Wolf após jantar dos correspondentes
Não seria a primeira vez que um presidente americano tinha de encaixar as piadas dos comediantes no jantar de correspondentes da Casa Branca. Também não foi a primeira vez que Donald Trump faltou ao evento, apesar de estar na presidência há escassos 15 meses. Foi de longe, num comício no Michigan que ensaiou um contra-ataque ao que seriam as ofensivas de Michelle Wolf, a comediante quase homónima do jornalista Michael Wolff, autor de "Fogo e Fúria", um livro que Trump também tentou ignorar, mas que desmascarou muitos dos esquemas da Administração.
Já no ano passado Donald Trump tinha decidido não comparecer no jantar dos correspondentes, o que quebra uma tradição da Casa Branca mas começa a instituir uma tradição própria para Trump.
Este ano trocou o encontro por uma uma acção no Michigan de recolha de fundos para a campanha de 2020.
A actual Administração norte-americana tem sido um terreno fértil em polémicas que são diariamente dissecadas, não só pelos media, mas pela classe intelectual, pelos actores e pelos comediantes. E não só nos Estados Unidos.Era portanto natural que esta fosse uma noite curta demais para cobrir todo o mandato até agora.
Foram muitos os nomes da Administração que ficaram de fora, como foram muitos os temas que Michele Wolf pode dar-se ao luxo de dispensar. "O Presidente não apareceu porque não se importa com a liberdade de expressão".
Quem não escapou foram as mulheres do Presidente: Sarah Huckabee Sanders, porta-voz na Casa Branca, Kellyanne Conway, sua conselheira, e Ivanka Trump, a filha que ocupa uma posição ambígua na equipa do pai, um papel equívoco entre primeira-dama e ligação da Administração ao sector financeiro nova-iorquino.
Trump não vê futuro para o 'jantar'
Quem não esteve no jantar de sábado - fisicamente - foi o Presidente. O que não o impediu de não gostar. Trump referiu-se a Michelle Wolf como "comediante imunda".
Um dos alvos preferenciais da noite foi Sarah Huckabee Sanders, o que originou críticas por supostamente a comediante ter atacado a aparência física da porta-voz. Michelle Wolf defende-se, depois de a acusar de mentirosa compulsiva: "As piadas eram sobre seu comportamento desprezível" na sala de imprensa da Casa Branca.
The White House Correspondents’ Dinner is DEAD as we know it. This was a total disaster and an embarrassment to our great Country and all that it stands for. FAKE NEWS is alive and well and beautifully represented on Saturday night!
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 30 de abril de 2018
Num tweet, Trump considerou o jantar do ano passado "um falhanço completo" apenas para sublinhar que "este ano foi uma vergonha para todos aqueles que estiveram envolvidos".
Uma das características salientadas nestes jantares dos correspondentes é a defesa da primeira emenda da Constituição norte-americana. Um texto que sublinha o facto de o Congresso americano não ter qualquer poder para "limitar a liberdade de expressão" nem "limitar a liberdade de imprensa".
Já em 2017 Trump foi criticado por quebrar essa tradição dos presidentes de participarem no evento. Na altura, o comediante Hasan Minhaj sublinhou: "O Presidente não apareceu. Porque Donald Trump não se importa com a liberdade de expressão".