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Trump contesta decisão de tribunal federal que considera ilegais maioria das tarifas

Trump contesta decisão de tribunal federal que considera ilegais maioria das tarifas

Donald Trump excedeu os próprios poderes presidenciais ao impor a maioria das políticas tarifárias aos outros países, de acordo com um tribunal federal de apelações em Washington DC na sexta-feira. Decisão que o presidente dos Estados Unidos contesta, mantendo as tarifas aos outros países em vigor, e da qual vai recorrer ao Supremo Tribunal.

Inês Moreira Santos - RTP /
Reuters

A lei dos norte-americana “confere autoridade significativa ao presidente para tomar várias ações em resposta a uma emergência nacional declarada, mas nenhuma dessas ações inclui explicitamente o poder de impor tarifas, taxas ou similares, ou o poder de tributar”, segundo a decisão do Tribunal de Recurso dos Estados Unidos para o Circuito Federal, em Nova Iorque.

Isto significa que Trump não tinha poderes legais para declarar uma emergência nacional e impor taxas de importação a quase todos os países do mundo.


Muitas das tarifas pesadas de Trump são "ilimitadas em objetivo, valor e duração", adianta o tribunal, e "demonstram uma autoridade expansiva que está além das limitações expressas" da lei na qual o governo se apoiou.

A decisão deste tribunal, por sete votos contra quatro, complica o plano de Trump para mudar a política comercial norte-americana e usar as tarifas como instrumento para pressionar parceiros a aceitar acordos comerciais unilaterais e a investir dezenas de milhares de milhões de dólares no país.

Na rede social Truth Social, o presidente norte-americano afirma que a decisão da Justiça é incorreta e sublinha que todas as tarifas se vão manter em vigor. Donald Trump contestou e assumiu que vai recorrer ao Supremo Tribunal.

"Todas as tarifas ainda estão em vigor", escreveu.

Trump pôs ainda em causa a independência do tribunal, como noutras ocasiões eme que as decisões lhe são desfavoráveis.

"Hoje (sexta-feira), um tribunal de recurso altamente politizado disse erradamente que as nossas tarifas deveriam ser eliminadas (...) Agora, com a ajuda do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, vamos usá-las para beneficiar a nossa nação e restaurar a riqueza, a força e o poder da América".


Se as taxas alfandegárias fossem retiradas, "seria uma catástrofe completa para o país", que seria "destruído", afirmou Trump, reiterando um argumento que usou nas semanas anteriores a esta decisão.

Trump implementou, em várias vagas desde abril, sobretaxas sobre produtos importados, defendendo que a medida vai levar os fabricantes estrangeiros a investirem em produção nos Estados Unidos, para contornar as barreiras alfandegárias.

Justificadas pela declaração de estado de emergência nacional, foram apresentadas por Trump tarifas gerais - anunciadas a 02 de abril no chamado “Dia da Libertação” - e as anteriores “tarifas de tráfico” sobre as importações do Canadá, China e México, para pressionar estes países a combater o fluxo ilegal de drogas e imigrantes através das suas fronteiras para os Estados Unidos.

A Constituição concede ao Congresso o poder de aplicar impostos, incluindo tarifas, e nenhum Presidente tinha invocado uma emergência nacional – o défice comercial externo que os Estados Unidos mantêm há quase cinco décadas - para regular o comércio com outros países.


C/agências
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