Trump diz que gostaria de "envolver" Corina Machado na Venezuela

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta terça-feira que os Estados Unidos estão em conversações com a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, sobre a possibilidade de a "envolver de alguma forma" nas questões do país.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Nathan Howard - Reuters

"Tive uma forte oposição à Venezuela, mas agora estou a adorar a Venezuela. Têm trabalhado muito bem connosco. Tem sido ótimo", disse Trump aos jornalistas em conferência de imprensa.

"E uma mulher incrivelmente gentil também fez algo incrível, como sabem, há alguns dias. Estamos a falar com ela e talvez possamos envolvê-la de alguma forma [nas questões da Venezuela]. Adorava poder fazer isso, María, talvez possamos fazer isso”, acrescentou o presidente americano, referindo-se a María Corina Machado, que recebeu na semana passada na Casa Branca recebendo das suas mãos a medalha do Prémio Nobel da Paz. Os comentários de Trump marcam uma mudança de tom para o presidente, que anteriormente questionou a popularidade e capacidade de Machado para liderar a Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Trump chegou à sala de imprensa da Casa Branca com uma grande pasta com ficheiros que disse serem as suas "conquistas", fazendo um balanço do seu segundo mandato um ano após a tomada de posse.

Falando num tom de voz invulgarmente baixo, o presidente dos EUA começou o seu discurso a partir do pódio na sala de imprensa da Casa Branca a exibir fotografias de “criminosos e imigrantes ilegais” que, segundo ele, foram detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e deportados dos Estados Unidos, particularmente do Minnesota.

“Estas pessoas vieram todas de fora do país”, disse, afirmando que entraram nos EUA durante a administração do seu antecessor, que apelida de “sleepy Joe Biden”.

“Estas são as pessoas que estão a tentar proteger”, disse. “Tudo o que o ICE quer fazer é pôr estas pessoas fora deste país”, acresentou, defendendo a agência de imigração que tem sido alvo de críticas e motivo de protestos nos EUA após a morte de uma mulher em Minneapolis que foi baleada por um agente do ICE.

Trump destacou ainda o seu trabalho na luta contra a inflação e expressou a sua frustração pelo facto de a sua mensagem económica não estar a ter repercussões entre os norte-americanos.

"Herdámos uma confusão. Os números que herdámos estavam em ascensão e agora conseguimos reduzi-los, quase todos, consideravelmente", declarou o presidente norte-americano, criticando os seus assessores de comunicação que, segundo ele, não estão a conseguir garantir que a sua mensagem "chegue" aos norte-americanos.
Trump diz que Conselho da Paz poderá substituir a “inútil” ONU

Em resposta aos jornalistas, o presidente norte-americano disse que o “Conselho da Paz” poderia substituir a ONU, que ele considera “inútil”. "A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas nunca correspondeu às expectativas", declarou.

Na opinião do presidente norte-americano, a organização “tem potencial” mas afirma que nunca recorreu à ONU para resolver qualquer conflito, reafirmando que acabou com oito guerras. "A ONU devia ter acabado com as guerras todas que eu acabei”, asseverou, acrescentando, ainda assim, que “a ONU deve continuar”.

Trump referiu a sua pressão para que os membros da NATO aumentassem as suas despesas com a defesa para 5% do PIB como outra das suas conquistas. “Fiz mais pela NATO do que qualquer outra pessoa, viva ou morta", reiterou, acrescentando que a NATO também precisa de tratar os EUA “com justiça".

"Nós vamos resgatá-los, mas duvido realmente que nos venham resgatar", disse.

Questionado sobre se os EUA vão permanecer na NATO, Trump respondeu: "Se a NATO não nos tiver, a NATO não é muito forte".

Donald Trump anunciou ainda que a sua administração vai começar "muito em breve" a combater a droga que entra nos Estados Unidos por terra, depois de ter afirmado que os ataques das forças norte-americanas a embarcações suspeitas de transportar droga no Mar das Caraíbas e no Oceano Pacífico reduziram a quantidade de droga que entra nos EUA por via marítima.

Em declarações à imprensa na Casa Branca, Trump não especificou de que país as drogas estavam a ser transportadas por via terrestre.

Trump marcou esta conferência de imprensa depois de a União Europeia ter anunciado a suspensão do processo de ratificação do acordo comercial com os EUA. Esperava-se, por isso, uma resposta do presidente norte-americano ao bloco europeu, mas este não foi um tema abordado na conferência de imprensa.
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