Trump diz que Musk restaurou o acesso à rede Starlink na Ucrânia

Trump diz que Musk restaurou o acesso à rede Starlink na Ucrânia

Elon Musk restaurou o acesso à internet via Starlink na Ucrânia, afirmou o presidente norte-americano, Donald Trump, depois de restrições terem prejudicado as forças armadas de Kiev.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Inna Varenytsia - Reuters

"Não quero comentar se fui eu quem ligou ou se foi outra pessoa; isso não muda nada. O que importa é que ele reativou o sistema", declarou o presidente norte-americano sobre Elon Musk, fundador da SpaceX, a empresa que opera a Starlink e a sua variante militar, a Starshield.
Trump fez os comentários depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter declarado que a conectividade com a rede Starshield — orientada para uso militar e fornecida pelo sistema de satélites Starlink, de Musk — ainda não tinha sido totalmente restabelecida.

Musk tinha negado ser o responsável pela lentidão, que afeta a capacidade da Ucrânia de utilizar drones para atacar alvos russos em território ucraniano e de se defender contra ataques. As declarações de Donald Trump surgem após a publicação de uma notícia do Wall Street Journal, segundo a qual as autoridades norte-americanas afirmaram que o presidente republicano telefonou a Elon Musk na quarta-feira, pedindo-lhe que levantasse as restrições impostas à Starshield.

O jornal acrescenta que as autoridades ucranianas e norte-americanas informaram que "o sistema funcionava de forma mais normal na quinta-feira, logo após a conversa". No entanto, "algumas autoridades ucranianas" sublinharam que o serviço "não estava totalmente restabelecido".

Trump evitou comentar a notícia segundo a qual terá ligado a Musk a pedir a remoção das restrições ao serviço, mas afirmou: "No final, restabeleceu o acesso".

A administração Trump já tinha negado, anteriormente, ter orientado a empresa de Musk para restringir o acesso.

Na semana passada, Musk afirmou que o governo norte-americano detém, em última instância, o controlo sobre o acesso ao Starshield — a versão de uso militar do Starlink, utilizada pela Ucrânia em algumas das suas operações. Declarou que o sistema foi concebido para o Pentágono, sugerindo, por isso, que as restrições poderiam partir das forças armadas americanas.

A Casa Branca afirmou, por diversas vezes, que não solicitou a restrição do acesso ao sistema.

As restrições de conectividade ocorreram numa altura em que Trump pressionava Zelensky para que a Ucrânia interrompesse os ataques às refinarias de petróleo russas — ações que, segundo Trump, terão provocado a subida dos preços.

Perante as eleições intercalares do próximo mês, Trump levantou algumas sanções contra a Rússia e fechou um acordo para importar gasóleo russo para o mercado norte-americano — uma medida criticada pela Ucrânia e pelos seus aliados europeus.Interrupção divulgada a 14 de outubro Kiev queixou-se de restrições de ligação à Starshield, que é fundamental para o exército ucraniano face aos ataques russos. As forças ucranianas utilizam o sistema, em particular, para os seus drones intercetores e para ataques de médio alcance contra territórios ocupados pela Rússia.

A Ucrânia utiliza tanto o serviço civil Starlink como o Starshield, uma versão mais segura, dependendo das necessidades de comunicação.As redes utilizam 10 mil satélites em órbita terrestre baixa para fornecer conectividade, especialmente em áreas remotas e campos de batalha.

A guerra moderna depende, frequentemente, do uso de internet de alta velocidade para a operação eficaz de drones.

Na quinta-feira, Zelensky afirmou que a velocidade do sistema utilizado pelos militares ucranianos ainda não tinha sido totalmente reposta.

Em conferência de imprensa, disse que a velocidade "ainda não foi restabelecida para 400 [Mbps]", acrescentando: "Estamos a trabalhar nisso".

"Aguardo um retorno do secretário de Estado norte-americano, [Marco] Rubio. Ele prometeu dar-me uma resposta com mais informações dentro de cerca de 48 horas", prosseguiu.

A Ucrânia reportou, pela primeira vez, uma interrupção na partilha de informações de inteligência com os EUA no dia 14 de outubro.Na quarta-feira, a Comissão Europeia tinha solicitado à SpaceX que "restabelecesse, com urgência", o acesso pleno para a Ucrânia.

A Rússia bombardeou Kiev com mísseis balísticos, e a Ucrânia enviou centenas de drones em direção a Moscovo na quinta-feira, enquanto os lados em conflito mantinham uma enxurrada de ataques, apesar da mais recente iniciativa dos EUA para pôr fim à guerra. A Rússia lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia no início de 2022.

c/agências 
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