Trump e Putin debateram ao telefone ameaças comuns aos EUA e Rússia

O Presidente russo falou ao Presidente eleito norte-americano esta segunda-feira, para dar os parabéns por uma vitória numa "eleição histórica", refere um comunicado do gabinete de Donald Trump.

Graça Andrade Ramos - RTP /
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"O Presidente eleito Trump afirmou ao Presidente Putin que espera muito ter uma relação forte e duradoura com a Rússia e o povo da Rússia" afirma o texto norte-americano.

Já o Kremlin é mais específico. O comunicado russo afirma que Putin cumprimentou Trump pela vitória e exprimiu a prontidão para "estabelecer diálogo de parceria com a nova Administração na base da igualdade, respeito mútuo e não interferência em relações internas".

Os dois líderes abordaram ameaças comuns, estratégia económica e laços bilaterais "de 200 anos" e ambos se comprometeram a trabalhar para os normalizar, tendo sublinhado a importância de estreitar as relações através do comércio, referiu ainda o comunicado russo.

Os dois líderes concordaram na necessidade de unir esforços "na luta contra o inimigo comum nº1" - o terrorismo e o extremismo internacional. Neste contexto, de acordo com o Kremlin, debateram formas de resolver o conflito sírio. Ambos combinaram continuar contactos via telefone e um encontro num futuro próximo.

Donald Trump já prometeu inverter parte da política de Obama para o Médio Oriente, sobretudo na Síria, nomeadamente na cessação do apoio norte-americano a grupos da oposição que combatem o Presidente Bashar al-Assad.

"Não temos ideia quem é esta gente" explicou Trump sexta-feira passada, numa entrevista ao Wall Street Journal. O Presidente eleito repetiu o que disse na campanha, que pretende focar-se na derrota do grupo Estado Islâmico e em entendimentos com Moscovo e com Damasco.

A Rússia apoia Assad, o que colocou nos útimos anos os dois países em rota de colisão estratégica.
Nato e Ucrânia
Vladimir Putin foi um dos primeiros líderes mundiais a cumprimentar Donald Trump pela eleição. Durante a campanha o Kremlin foi acusado de interferir na vida política norte-americana a favor de Trump, sobretudo através de ataques informáticos.

Na semana passada o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, afirmou à CNN esperar que Trump melhore as relações entre Washington e Moscovo, que até agora têm sido "péssimas".

Durante a campanha Trump questionou a relevância da NATO, uma estreia em 60 anos da Aliança. O Presidente russo pode assim estar atento para ver se Trump retira apoios à estratégia da NATO de reforçar meios nas fronteiras leste da Europa, com a Rússia, algo que o Kremlin vê como ameaça direta.

O Presidente Barack Obama disse contudo que Trump, logo no primeiro encontro entre ambos na Casa Branca na semana passada, lhe garantiu que estava comprometido com a NATO.

Outro espinho nas relações entre o Kremlin de Putin e a Administração Trump poderá ser a Ucrânia. Durante a campanha Trump afirmou que Putin "não vai entrar" no país, o que parece indicar que, sob a sua presidência, os EUA irão intervir caso Moscovo intervenha contra Kiev. Só que Trump tem mostrado pouca vontade de continuar a política de intervenção externa seguida pelos seus antecessores.

Também no início do seu consulado, Obama se propôs "repor" os laços com a Rússia mas ao longo dos seus mandatos estes esfriaram até ao ponto mais baixo desde a Guerra Fria, devido aos conflitos na Ucrânia e na Síria.  
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