Trump ordena início de testes de armas nucleares dos Estados Unidos

Trump ordena início de testes de armas nucleares dos Estados Unidos

Mais de 30 anos depois, os Estados Unidos vão voltar a testar armas nucleares. Antes de um encontro com Xi Jinping, esta quinta-feira, Donald Trump instruiu o Departamento de Guerra da Administração norte-americana para começar imediatamente para estar em pé de igualdade com outras potências, como a Rússia e a China.

Inês Moreira Santos - RTP /
Reuters

“Os Estados Unidos possuem mais armas nucleares do que qualquer outro país”, declarou o presidente norte-americano nas redes sociais, frisando que isso foi conseguido, assim como uma “completa modernização e renovação do arsenal existente”, ainda durante o primeiro mandato.

Depois de ordenar ao Pentágono que se iniciem os testes, Trump justificou a decisão: “Devido aos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a iniciar os testes das nossas armas nucleares em igualdade de condições. Esse processo começará imediatamente”.

“Devido ao tremendo poder destrutivo, detestei ter de o fazer, mas não tive escolha”, acrescentou.



O objetivo é igualar a capacidade nuclear norte-americana à russa e à chinesa. Segundo Trump, a “Rússia está em segundo lugar e a China num distante terceiro, mas estarão empatadas dentro de cinco anos”. 
 Antes de aterrar na Coreia do Sul, para se encontrar com o presidente chinês, Trump reforçou a decisão.

"Parece que estão todos a fazer ensaios nucleares", afirmou a bordo do Air Force One. "Nós não fazemos testes, já interrompemos isso há anos. Mas com outros países a testarem, talvez nós também o façamos".O que antecede a decisão?
O anúncio surgiu depois de Vladimir Putin ter ordenado um teste com um drone submarino com capacidade nuclear. No domingo, o presidente russo congratulou-se com o sucesso do teste final do míssil de cruzeiro de propulsão nuclear Bourevestnik, com "alcance ilimitado" e capaz de neutralizar, segundo Putin, praticamente todos os sistemas de interceção. 

"Isso é inadequado", reagiu Trump, na altura, apelando a Putin para que, em vez disso, "ponha fim à guerra na Ucrânia". O líder russo não reagiu à crítica.

"Ontem [terça-feira], realizámos mais um teste com outro sistema promissor: um drone submarino Posêidon", declarou Vladimir Putin, durante uma visita a um hospital militar, transmitida na quarta-feira pela televisão pública russa.

Segundo Moscovo, o drone Posêidon é movido a energia nuclear e também pode transportar cargas atómicas.

"Nenhum outro aparelho no mundo se compara a este em termos de velocidade e profundidade" em que opera, garantiu o líder do Kremlin, afirmando que "não há forma de o intercetar".

A decisão foi anunciada nas redes sociais menos de uma hora antes de o presidente norte-americano se reunir com o homólogo chinês, Xi Jinping, na Coreia do Sul.

Os EUA não realizam um teste completo com armas nucleares desde 1992. E não há nenhum país que, desde 1998, tenha confirmado ter realizado um teste além da Coreia do Norte – o último confirmado foi em 2017.

Contudo, há países com armas nucleares que tem realizado simulações nucleares através de computadores, ou experiências ligadas à física nuclear, como testes de mísseis específicos.
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