Trump pede a multidão eufórica que o deixe "terminar o trabalho" e o voto nos republicanos

Trump pede a multidão eufórica que o deixe "terminar o trabalho" e o voto nos republicanos

O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu na quarta-feira aos eleitores eufóricos que o aguardavam na convenção em Dallas que o deixem "terminar o trabalho" e que votem nos candidatos republicanos em novembro, sob pena de voltarem "ao inferno".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Marco Bello - Reuters

 

Num discurso de quase duas horas, Trump pediu os eleitores que "finjam" que é o nome dele que estará no boletim de voto nas eleições intercalares de novembro, nas quais os republicanos arriscam perder a maioria no Congresso.

"Estou a pedir-vos que finjam que estou no boletim de voto. Eu estou no boletim. Estou no boletim. Só mais uma vez!", apelou, entre risos.

"Porque, se perdermos, vocês vão perder a fronteira, vão perder os cortes de impostos, vão perder a segurança e a riqueza. (...) Vocês vão passar por um inferno, assim como passaram há apenas dois anos. Nós passamos por um inferno. Éramos motivo de chacota no mundo todo", acrescentou.

O apelo lançado pelo Presidente, numa inédita convenção republicana a apenas dois meses das eleições intercalares, faz parte de uma estratégia dos seus assessores para tentar mobilizar uma base do eleitorado republicano com baixa propensão a votar.

Ecoando a mensagem transmitida por outros republicanos horas antes na mesma convenção, Trump alertou: "Entreguem o futuro da América aos democratas da esquerda radical e a nossa nação passará a próxima década apenas a reerguer-se. Votem nos republicanos e deixaremos o mundo para trás por gerações".

Uma hora após começar a discursar, e com o objetivo de angariar eleitores, Donald Trump lançou a promessa de enviar 5.000 dólares (cerca de 4.300 euros) a cada cidadão, caso os republicanos mantenham a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, sem dar mais detalhes sobre a medida.

"Irá chamar-se `dividendo Trump`", acrescentando a ressalva de que esse dinheiro deve ser gasto nos Estados Unidos.

Trump fez o discurso principal da primeira noite da convenção republicana, na qual garantiu que pretende apoiar os candidatos republicanos que concorrem ao Congresso.

A multidão aplaudiu ainda o chefe de Estado quando Trump garantiu que viajará para todos os estados decisivos.

Apesar da tentativa de Trump de dar destaque aos candidatos republicanos, muitos optaram por não marcar presença em Dallas, num momento em que a popularidade do Presidente está em queda e os eleitores têm preocupações generalizadas com o custo de vida e com a guerra com o Irão.

As eleições intercalares agendadas para 03 de novembro irão renovar a totalidade da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano) e um terço do Senado.

Se os democratas recuperarem o controlo de uma das câmaras legislativas, terão o poder de bloquear a agenda de Trump e iniciar investigações à sua Administração durante os dois anos que faltam do mandato.

Os republicanos têm atualmente maiorias curtas no Congresso e o partido no poder perde normalmente terreno nas eleições intercalares.

Ao longo do discurso, Trump falou extensivamente sobre os assuntos que mais lhe importam, como o controlo de fronteiras ou cortes de impostos. Dedicou ainda bastante tempo ao elevado custo de vida, que, segundo as sondagens, é o maior desafio que os republicanos enfrentam nas eleições intercalares.

O Presidente considerou palavra "tarifa" como a sua "palavra favorita", embora as políticas tarifárias da Casa Branca continuem impopulares entre a maioria dos eleitores.

Contra as expectativas, Trump abordou quer os preços dos combustíveis, quer a guerra com o Irão: "O preço do petróleo vai cair assim que vencermos a guerra com o Irão", disse, repetindo uma previsão que já tinha feito horas antes.

Trump também reconheceu que a guerra no Médio Oriente causou um aumento nos preços da energia e dificuldades nos mercados financeiros, mas disse que era necessária para impedir que o Irão obtivesse uma arma nuclear.

"Alguém aqui acha que o Irão deveria ter uma arma nuclear?", questionou, com a multidão a responder com um sonoro "não".

O Presidente voltou a brincar com a possibilidade de renomear o Estreito de Ormuz como "Estreito Trump".

Também voltou a afirmar falsamente que venceu a Presidência três vezes, declaração que a multidão aplaudiu.

O magnata republicano pediu à multidão para se lembrar dele daqui a quatro ou cinco anos, quando o país estiver "a bombar" e a obter sucesso: "Lembrem-se: fui eu quem começou tudo isso", declarou, sob aplausos

Uma eleitora gritou nas bancadas: "Trump Presidente em 2028", apesar de esse ser um cenário que a constituição norte-americana não permite.

Na bancada, a assistir ao discurso, estava o vice-presidente JD Vance, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e outros republicanos proeminentes.

Na arena `American Airlines Center`, muitos lugares estavam por preencher e algumas secções do nível superior estavam completamente vazias, embora Donald Trump tenha declarado que o local estava lotado.

Donald Trump voltará a falar hoje à convenção no encerramento dos trabalhos.

 

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