Trump ponderou declarar estado de emergência nacional para controlar intercalares
O Presidente norte-americano, Donald Trump, terá analisado um decreto executivo, redigido por advogados, que lhe concederia poderes de emergência para controlar as eleições intercalares de novembro, de acordo com vários meios de comunicação social.
O documento de 17 páginas utilizaria a alegada e refutada interferência chinesa nas eleições presidenciais de 2020 para justificar a declaração do estado de emergência nacional.
Isto permitir-lhe-ia exigir a identificação do eleitor em todos os estados, contar os votos manualmente e proibir o voto por correio antes das próximas eleições intercalares, segundo o The Washington Post.
Questionado hoje sobre o documento, Trump negou ter ouvido falar dele.
"Não", respondeu firmemente às perguntas dos jornalistas na Casa Branca, antes de seguir para um comício no Texas.
As eleições de novembro, que renovarão a Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) e um terço do Senado (câmara alta), são cruciais para o Governo, que poderá ver a sua agenda paralisada se os republicanos não conseguirem manter as suas já apertadas maiorias no Congresso.
A Constituição dos EUA estabelece que o controlo das eleições pertence aos estados, "mas aqui temos uma situação em que o presidente está ciente de que há interesses estrangeiros a interferir nos nossos processos eleitorais", apontou o advogado Peter Ticktin ao Washington Post.
"Isto cria uma emergência nacional que o presidente precisa de ser capaz de gerir", acrescentou Ticktin, antigo colega de Trump na academia militar e um dos que promovem o referido projeto de lei.
Advogados e ativistas pró-Trump preveem que este texto possa ser incluído numa ordem executiva que está a ser preparada pela Casa Branca e que, segundo estes apoiantes, será emitida em breve.
"Neste momento, precisa de ser o mais rápido possível, porque temos primárias" muito em breve, insistiu Ticktin, desta vez à ABC News.
Trump apoiou um projeto de lei, aprovado pela Câmara dos Representantes e enviado para o Senado, que exigiria um comprovativo de cidadania para votar.
Esta legislação, que enfrenta um caminho difícil no Senado, também exigiria um comprovativo de cidadania para se registar para votar e tornou-se uma das mais recentes batalhas políticas do Presidente.
O republicano chegou a insinuar que poderia emitir uma ordem executiva para contornar a provável rejeição do projeto pelo Senado.
O magnata também criticou repetidamente o voto por correspondência, que permite aos eleitores devolver os boletins de voto pelo correio antes do dia das eleições.
Trump não aceitou a derrota e continua a alegar, sem provas, que a eleição presidencial de 2020, na qual o democrata Joe Biden saiu vitorioso, lhe foi roubada, apesar da falta de provas de fraude generalizada.