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Trump preparado para “entrar no México e limpar cartéis de droga”
O presidente Donald Trump prepara-se para decretar os cartéis mexicanos como organizações terroristas, designação que permitirá alargar o escopo de ação das forças de segurança norte-americanas em relação aos grupos traficantes que passam a fronteira sul do país. O governo mexicano já avisou que não permitirá ingerências na sua política doméstica, rejeitando qualquer violação da soberania mexicana.
O assunto da violência dos cartéis de droga mexicanos aqueceu nos Estados Unidos depois de um grupo norte-americano de crianças e as suas mães (alguns teriam dupla nacionalidade) terem sido mortalmente baleados por um grupo que os emboscou nos seus veículos enquanto se deslocavam no norte do México. Os EUA têm na sua lista de organizações terroristas os palestinianos do Hamas, os libaneses do Hezbollah, o Exército de Libertação Nacional da guerrilha colombiana (ELN), os iranianos da Guarda Revolucionária e os jihadistas do Estado Islâmico.
Desde esse dia 4 de Novembro que o pesado balanço, rodeado de circunstâncias macabras, tem pressionado a Administração a reagir de alguma forma. A própria comunidade mórmon – os LeBaron – envolvida na tragédia entregou uma petição nesse sentido à Casa Branca.
Em resposta ao anúncio de ontem do presidente Trump, o México recordou a Casa Branca de que não permitirá violações da sua soberania: “O respeito mútuo é a base para uma boa cooperação”, sublinhou o ministro dos negócios Estrangeiros, Marcelo Ebrard.
Para já, o México aponta no sentido de medidas para cortar o fluxo de armamento e dinheiro que entra no país a partir do Norte para os cartéis. Da mesma forma, procurará cortar o fluxo de drogas para os Estados Unidos.
As vítimas, nove ao todo, na sua maioria adolescentes e bebés, pertenciam à comunidade mórmon norte-americana há décadas instalada no México. Apesar de inicialmente ter corrido a versão de que o massacre havia sido um engano dos grupos envolvidos, outras fontes apontam para que os homens armados que visaram os veículos sabiam bem de quem se tratava.
Bill O'Reilly, homem da comunicação e reputado conservador, questionava esta terça-feira o Presidente acerca de uma decisão. Perguntava se Trump estava a pensar designar os cartéis como grupos terroristas e se pensava “começar a atingi-los com drones”.
A resposta de Donald Trump foi de que sim, “eles serão designados [de terroristas]… estou a trabalhar nisso há 90 dias”. O Presidente sublinhou a complexidade do processo para o facto de a ideia não estar ainda concretizada.
O presidente norte-americano adiantou ter já proposto ao homólogo mexicano, Manuel López Obrador, enviar os seus militares para ajudar na luta contra a droga no México, mas que a ideia foi rejeitada por Obrador.
“Eu propus-lhe que entrássemos no país e fizéssemos uma limpeza, mas até agora ele tem declinado esta oferta”, explicou Trump.
O presidente não detalhou as consequências para os cartéis mexicanos com essa designação como organizações terroristas. “Não vou dizer o que vou fazer”, afirmou Trump.
A verdade é que a esta vista as forças de segurança norte-americanas estarão livres de encetar ações que deverão incidir na própria capacidade de movimentação dos membros dos cartéis. O congelamento de contas bancárias e estrangulamento de recursos financeiros é outra das vias possíveis neste tipo de combate legal. Desde logo, permitirá à equipa do presidente Trump alocar mais recursos para combater os cartéis.
“Os nossos problemas serão resolvidos por nós, mexicanos. Não permitiremos qualquer interferência de um país estrangeiro”, sustentou.
O Ministério emitiu posteriormente uma nota fazendo saber que o assunto deverá ser discutido por Ebrard com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.