Trump não convence republicanos a mudar regras de votação no Senado

O presidente norte-americano não quer depender das vontades democratas para passar as suas leis no Senado e sugere, para isso, que as regras sejam alteradas, da maioria necessária de 60 lugares para os 51. Uma outra forma de fazer passar a legislação, diz Donald Trump, será reforçar o número de lugares republicanos na eleição de 2018 para o Congresso. O líder do Partido Republicano no Senado, Mitch McConnell, já rejeitou qualquer alteração na mecânica das votações.

RTP /
Carlo Allegri, Reuters

Os republicanos apenas têm 51 dos 100 lugares do Senado norte-americano, o que obriga o GOP a ceder aos democratas sempre que pretendem fazer passar uma lei. 

Trump lembrou na sua conta no Twitter que isso foi o que aconteceu já esta semana, com o partido a ter de ceder às exigências da oposição para conseguir passar uma proposta de despesas para financiar o governo federal até setembro, de modo a evitar um “shutdown” (literalmente: evitar fechar o governo).




“A razão para o plano ser negociado entre republicanos e democratas é que nós precisamos de 60 votos no Senado, votos que não estão lá! Ou elegemos mais senadores republicanos em 2018 ou mudamos as regras para 51%”, escreveu o presidente na sua conta Twitter.

Trump deixa ainda a ideia de que talvez fosse bom para a América que o problema do financiamento ficasse por resolver – o que levaria ao encerramento das administrações centrais –, já que a nação ficaria colocada perante um impasse, situação limite que possivelmente obrigaria à resolução do mecanismo de decisão: “O nosso país precisa de um bom shutdown em setembro para emendar esta asneirada”. 

Pelo menos, acredita o presidente norte-americano, seria uma forma de pressionar os democratas a cederem a algumas das prioridades do seu programa.

Uma situação paradigmática foi vivida recentemente para assegurar a aprovação através de uma maioria simples (51 votos) da nomeação de Neil Gorsuch para o lugar deixado vago pelo juiz Antonin Scalia no Supremo Tribunal. Trump aplaudiu a decisão e diz que esse é um caminho que deve continuar a ser seguido pela maioria fragilizada dos republicanos nas votações de outros textos e propostas legislativas.

É, no entanto, uma alteração que na opinião de Mitch McConnell, o líder dos republicanos no Senado, não deverá ter qualquer hipótese de ver a luz do dia: "Há uma maioria esmagadora com base bipartidária que não está interessada em mudar a maneira como o Senado opera no calendário legislativo”.
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