Trump suaviza tom sobre alegada interferência chinesa antes de encontro diplomático

Trump suaviza tom sobre alegada interferência chinesa antes de encontro diplomático

O Presidente norte-americano, Donald Trump, suavizou hoje o tom sobre as alegadas interferências da China nas eleições presidenciais de 2020, antes do encontro entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reúne-se esta quarta-feira com o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi | Foto: AFP e REUTERS

"Vamos falar com eles sobre isso", afirmou Trump aos jornalistas, referindo-se às acusações de interferência eleitoral dirigidas à China na semana passada.

O chefe de Estado norte-americano acrescentou, contudo, que os alegados acontecimentos "ocorreram há muito tempo" e admitiu que "a China pode ser um pouco diferente hoje do que era nessa altura".

"Eles fazem-nos coisas e nós fazemos-lhes coisas. Para ser honesto, também lhes fazemos coisas. Não é uma rua de sentido único, mas vamos falar sobre isso", declarou.

Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que cita fontes familiarizadas com os preparativos, Rubio e Wang deverão reunir-se hoje, à margem dos encontros ministeriais da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na capital filipina.

O encontro ocorre menos de uma semana depois de Trump ter acusado Pequim de protagonizar "o maior comprometimento de dados eleitorais da história", alegando que a China obteve ilicitamente mais de 200 milhões de registos de eleitores norte-americanos.

A embaixada chinesa em Washington rejeitou as acusações, classificando-as como "calúnias completamente infundadas" e reiterando que Pequim segue o princípio da não ingerência nos assuntos internos de outros países.

"A China não tem interesse nem nunca interferiu nas eleições dos Estados Unidos", afirmou o porta-voz da missão diplomática, Liu Chang, citado pelo jornal.

Questionado no domingo sobre se iria abordar o tema com Wang, Rubio recusou revelar a agenda do encontro, alegando tratar-se de "assuntos delicados".

O secretário de Estado indicou que continua prevista para setembro uma visita do Presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos.

"Quando existem dois países grandes e poderosos como os Estados Unidos e a China, haverá sempre divergências e assuntos em que não concordamos. Mas cabe a países importantes como os nossos continuar a dialogar e a manter uma relação", afirmou.

As relações entre Washington e Pequim continuam marcadas por disputas comerciais, restrições tecnológicas, controlos às exportações e medidas recíprocas contra empresas dos dois países.

Na segunda-feira, Trump assinou ainda uma ordem executiva para reduzir, a partir de janeiro de 2027, a dependência dos fornecedores militares norte-americanos de cadeias de abastecimento ligadas a "adversários estrangeiros", numa medida destinada a reforçar o acesso dos Estados Unidos a minerais críticos utilizados na defesa.

Embora a ordem executiva não mencione explicitamente a China, o documento refere a necessidade de proteger as cadeias de abastecimento norte-americanas "numa era de renovada competição entre grandes potências".

 

Tópicos
PUB