Tsunami modificou estreito de Malaca
A profundidade do estreito de Malaca, uma das principais vias de navegação do mundo, foi modificada pelo violento sismo e maremoto do mês passado ao largo da Indonésia, segundo um estudo da marinha da Malásia.
Estas alterações de profundidade, de 20 centímetros a dois metros, não representam perigo para a navegação, disse o responsável pelo estudo, Kamarulzaman Ahmad Badaruddin, ao jornal The Star de hoje.
"Em certos sítios, as diferenças são de apenas 0,2 metros, enquanto que noutras zonas, com uma centena de metros de profundidade, são de um a dois metros", afirmou.
Observou que o calado clássico de um navio é de seis metros e que há normalmente três dezenas de metros abaixo disso no estreito.
"Não existe por isso o risco de que um navio encalhe", disse.
A passagem estreita que separa a península malaia da ilha indonésia de Samatra, entre o oceano Índico e o Mar da China meridional, serve de via de trânsito a um terço do comércio mundial e a metade dos abastecimentos de petróleo.
O estreito, de 800 quilómetros de comprimento por 50 a 320 quilómetros de largura, é utilizado anualmente por 50.000 navios.
Kamarulzaman precisou que os resultados anunciados se baseiam em medições feitas por uma equipa de cartógrafos da marinha malaia em dois locais estratégicos do canal.
O sismo de 26 de Dezembro a noroeste de Samatra foi tão forte (magnitude 9 na medição de Richter) que a Terra tremeu no seu eixo e certas pequenas ilhas deslocaram-se umas duas dezenas de metros, segundo os geofísicos.
As ondas originadas pelo sismo devastaram as costas do Índico e causaram a morte a mais de 286.000 pessoas.