Tsvangirai não pode ser criticado, imprensa britânica
Londres, 23 Jun (Lusa) - Morgan Tsvangirai não pode ser criticado por se ter retirado das presidenciais no Zimbabué, referem hoje os jornais britânicos, frisando que o ex-candidato instou a África do Sul a liderar pressões contra o Presidente Robert Mugabe.
De acordo com o serviço sul-africano de notícias on-line News24, os editoriais dos jornais diários de hoje apelidam Mugabe de "tirano" e exageram na comparação do Presidente zimbabueano com o ex-ditador alemão nazi, Adolf Hitler.
Os diários britânicos instam o vizinho da África do Sul a exercer a sua influência para liderar a reprovação internacional ao regime de Mugabe.
Domingo, Morgan Tsvangirai, dirigente do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, oposição) retirou-se da corrida às presidenciais, alegando que a violência reinante no país tornou impossível um escrutínio justo e livre.
O News24 considera que a decisão de Tsvangirai praticamente entrega o poder a Mugabe, que dirige os destinos do país desde a independência da antiga colónia britânica, em 1980.
Para o Daily Telegraph britânico, era difícil ver que mais Tsvangirai poderia ter feito.
"A sua candidatura arriscava-se a conferir uma espécie de legitimidade a toda esta deplorável situação e, entretanto, (Mugabe) intensifica a violência", adianta o jornal, para o qual uma mudança pacífica está amplamente dependente da África do Sul, tal como estava quando o país conquistou a independência.
"Então, como agora, o regime minoritário da (então) Rodésia preparava-se para mergulhar o país numa guerra sangrenta em vez de entregar o poder", refere o jornal, frisando que, na altura, a minoria branca (...) "agiu em conformidade com os interesses da humanidade".
"Se a África do Sul demonstrar semelhante magnanimidade hoje, o Zimbabué, pode ainda tornar-se um vizinho próspero e estável", segundo Daily Telegraph.
"Caso contrário, um conflito em larga escala será inevitável", adverte.
"Ninguém pode acusar Tsvangirai por se ter retirado" da corrida às presidenciais, titula, por sua vez, o Daily Mail.
"De qualquer modo, esta farsa de eleições nunca terminaria num resultado justo", adianta, frisando que Tsvangirai é "corajoso quase ao ponto do suicídio por ter lutado durante tanto tempo" contra o regime de Mugabe.
"Durante anos, o povo do Zimbabué sofreu, enquanto o mundo ignorava o que acontecia", refere, por sua vez, o Guardian.
Agora, foi retirado aos zimbabueanos "a sua última e melhor esperança para uma mudança democrática e pacífica", adianta.
Para o Guardian, a decisão de Tsvangirai de se retirar da corrida "é o triunfo do terror".
O Daily Mirror comparou a situação no Zimbabué com o genocídio no Ruanda, em 1994, "quando o mundo ficou parado a ver".
"A seguir, todos juraram que uma catástrofe do género nunca mais se repetiria. Agora está a acontecer outra vez - e o mundo não está a agir", alerta.
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