Tufão Dolphin. Mais de um milhão de pessoas deslocadas na China

Tufão Dolphin. Mais de um milhão de pessoas deslocadas na China

As autoridades chinesas retiraram mais de um milhão de pessoas das suas casas no leste da China, incluindo a capital financeira, Xangai, com a chegada do tufão Dolphin.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
cnsphoto via Reuters

Muitas ruas de Xangai, a segunda cidade mais populosa do país, ficaram inundadas, incluindo nos principais centros comerciais. Os dois aeroportos da cidade cancelaram um total de 943 voos devido ao tufão, reduzindo a capacidade em quase 40 por cento, informou a emissora estatal CCTV.

A China Eastern Airlines afirmou na segunda-feira que estava a tentar retomar os voos para Xangai, Zhejiang e outros destinos de forma "ordenada". Muitas ruas nos distritos suburbanos de Jiading e Qingpu, em redor do centro de Xangai, permaneceram inundadas, de acordo com transmissões em direto partilhadas por residentes nas redes sociais.

O Dolphin atingiu a costa com ventos máximos sustentados de 151 quilómetros por hora perto do seu centro. Zhejiang, província a sul e oeste de Xangai, foi atingida pelo tufão na noite de domingo, antes de enfraquecer para uma tempestade tropical.

No entanto, as autoridades continuam a alertar para chuvas torrenciais, inundações severas e risco de deslizamentos de terra até quarta-feira, à medida que a tempestade se desloca para norte.

As autoridades chinesas tinham emitido anteriormente o alerta vermelho de nível máximo para o Dolphin, que é a tempestade mais forte a atingir a China este ano.


O tufão atingiu Yuhuan, na província de Zhejiang, às 17h30 (10h30 em Lisboa) de domingo, com ventos máximos de 150 quilómetros por hora, antes de atingir a costa pela segunda vez na cidade de Wenzhou cerca de uma hora depois, segundo as autoridades meteorológicas.

Para esta segunda-feira, estão previstas chuvas fortes para as províncias de Shandong, Henan, Hubei, Anhui, Jiangsu, Zhejiang e para a cidade de Xangai.

As autoridades recomendaram que as pessoas evitem as atividades ao ar livre, enquanto várias atrações turísticas importantes permanecem encerradas, incluindo partes da Disneyland e da Legoland, bem como vários miradouros ao longo do Bund, em Xangai.Imagens divulgadas pelos meios de comunicação estatais mostram estabelecimentos comerciais no rés-do-chão inundados na antiga Concessão Francesa, em Xangai, uma zona popular entre os turistas, e pessoas a caminhar com água até aos tornozelos.

Partes de Zhejiang podem receber entre 250 mm e 500 mm de chuva nos próximos dias, segundo os meteorologistas.

As autoridades de Hangzhou, capital de Zhejiang, isentaram as taxas de estacionamento em todos os locais públicos para os condutores que procuram abrigo no meio dos ventos fortes e das cheias.

Noutras partes da província, as autoridades de Wenzhou realocaram cerca de 900 mil residentes e abriram mais de mil abrigos de emergência, enquanto cerca de 390 mil pessoas foram retiradas das suas casas na cidade de Taizhou.

Na província costeira de Fujian, as autoridades marítimas suspenderam dezenas de rotas de ferry de passageiros e interromperam mais de 100 projetos de construção offshore.Avisos de chuva e inundações para Pequim
O tufão Dolphin, o mais forte a atingir a China este ano, deverá avançar para o interior, atingindo as províncias centrais de Hubei e Henan nos próximos dias, levando também humidade para norte.As autoridades da capital, Pequim, emitiram alertas para chuvas torrenciais e afirmaram que a cidade estava preparada para ativar o seu sistema de controlo de cheias na manhã de terça-feira.

Espera-se que Pequim registe "chuvas significativas" de terça a quinta-feira, com as autoridades a alertar para o risco de inundações repentinas na cidade e deslizamentos de terra nas áreas montanhosas circundantes.

O tufão já tinha percorrido seis mil quilómetros (3.728 milhas) antes de atingir a costa, o que lhe conferiu um ciclo de vida três vezes maior do que o de um tufão comum, e trouxe consigo um gigantesco sistema de nuvens que envolveu o leste da China, acrescentou a CCTV noutra reportagem.

O impacto do tufão Dolphin foi também comparado ao do tufão Doksuri, em 2022, que atravessou o país depois de ter provocado destruição na província de Fujian, no sudeste, provocando chuvas recorde em Pequim.

À medida que as nuvens de tempestade encontram ar mais frio no norte, Pequim, Tianjin e Hebei terão de se preparar para as chuvas até quinta-feira.

O Dolphin correu duas semanas depois de o tufão Noul ter atingido a província de Guangdong, no sul do país, sendo descrito pelas autoridades como o tufão mais poderoso a atingir a China este ano.

Em julho, 39 pessoas morreram nas inundações provocadas pelo tufão Maysak, no sul de Guangxi. O mesmo tufão provocou ainda 11 mortos na província de Hubei, no leste do país.
Os cientistas afirmam que a intensidade e a frequência dos eventos climáticos extremos aumentarão à medida que o planeta continuar a aquecer, devido às emissões de combustíveis fósseis.
O tufão Dolphin provocou chuvas torrenciais nas Filipinas, em zonas norte de Taiwan e à ilha de Okinawa, no Japão, antes de atingir a China.


Oito pessoas morreram nas Filipinas devido às fortes chuvas das monções provocadas pelo tufão Dolphin e por tempestades no início da semana, segundo o Gabinete de Defesa Civil. Mais de sete mil pessoas estão abrigadas em centros de apoio em todo o país.

Em Okinawa, no Japão, cinco idosos sofreram ferimentos ligeiros, de acordo com o governo da prefeitura.

Três deles caíram devido aos ventos fortes, informou o Governo.

Entretanto, em Hong Kong, o observatório meteorológico registou uma temperatura recorde de 36,9°C no domingo, enquanto o tufão trazia ar quente para a cidade.

A época dos tufões no Pacífico Ocidental ocorre normalmente entre maio e outubro, quando os tufões são considerados mais comuns.

Este ano é um ano de El Niño forte, o que, segundo os especialistas, significa que os tufões podem tornar-se mais intensos.

c/ agências 
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