Tunísia continua em pé de guerra após assassínio político

A central sindical tunisina decretou uma greve geral contra o Governo islamista, que acusa de estar por trás do assassínio do deputado de esquerda Mohamed Brahmi. O presidente tenta aliviar a pressão, acusando um sector islamista radical de ter cometido este assassínio - e um outro, em fevereiro último.

RTP /
Manifestação de protesto contra o assassínio de Mohamed Brahmi Anis Mili, Reuters

Violentas manifestações continuam a registar-se na Tunísia, na sequência do assassínio de Brahmi, deputado constituinte e dirigente do Partido do Povo, que se opunha à islamização da sociedade tunisina. Um outro político laico, Chokri Bela, fora assassinado há seis meses, e suscitara as mesmas acusações contra o Ennahda, partido islâmico que encabeça o Governo.

A estas acusações respondeu o ministro do Interior, Lotfi Ben Jeddou, acusando do assassínio um "extremista" salafita, de nome Boubaker Hakim. Segundo Jeddou, trata-se de um traficante de armas proveniente da Líbia, que também é suspeito de ter assassinado Chokri Bela. Com efeito, segundo o ministro a arma deste crime foi identificada como sendo a mesma que fez os disparos mortais em fevereiro.

No mesmo sentido, também o presidente tunisino, Moncef Mazourki, admitiu uma ligação política entre os dois crimes, segundo disse, "sem nenhuma dúvida". Para o presidente, ambos os assassínios visaram "desestabilizar a Tunísia, impedi-la de ter sucesso na transição e [obedeceram à] vontade de semear a cizânia entre as forças políticas".

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