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Tusk vai pedir aos líderes europeus abertura para longo adiamento do Brexit

Tusk vai pedir aos líderes europeus abertura para longo adiamento do Brexit

O presidente do Conselho Europeu revelou esta quinta-feira que vai pedir aos líderes dos 27 Estados-membros da União Europeia para estarem disponíveis para um “longo adiamento do Brexit”, se isso implicar que os britânicos vão repensar a estratégia de Brexit. O Parlamento britânico prepara-se agora para votar sobre um eventual adiamento da data de saída, depois de na véspera os deputados terem votado contra uma saída sem acordo. A primeira-ministra britânica dramatiza o discurso e diz que, se o acordo que negociou com a União não for aprovado, haverá um longo adiamento e o Reino Unido tem de participar nas eleições europeias.

Ana Sofia Rodrigues - RTP /
Theresa May é clara: caso o acordo que negociou com a UE não seja aprovado até dia 20 de março, véspera do Conselho Europeu, terá de pedir um adiamento prolongado do Brexit Reuters

Numa publicação no Twitter, Donald Tusk garante que durante as consultas antes do Conselho Europeu vai apelar aos 27 Estados-membros da União Europeia para estarem “abertos para um longo adiamento se o Reino Unido considerar que é necessário para repensar a sua estratégia de Brexit e construir um consenso nesta matéria”. O presidente do Conselho Europeu deixa um aviso: Londres tem de mudar de posição para conseguir um longo adiamento”.


O Conselho Europeu reúne-se em Bruxelas entre 21 e 22 de março, com o Brexit na agenda. Para preparar o encontro, Tusk vai reunir esta sexta-feira com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, com a chanceler alemã Angela Merkel e com o Presidente francês Emmanuel Macron na segunda-feira. Terça-feira vai encontrar-se com o primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar.

A proposta de Donald Tusk surge no dia em que os deputados britânicos vão votar, pela terceira vez esta semana. Hoje, o Parlamento britânico vai decidir sobre um eventual pedido à União Europeia para um adiamento da data de saída do Reino Unido da União Europeia, que por agora está fixado para 29 de março, dentro de duas semanas.

A moção que será hoje apresentada para votação na câmara baixa de Westminster, consta a ideia de que, se os deputados aprovarem um acordo até à próxima quarta-feira, 20 de março, o Governo pedirá uma prorrogação “técnica” da saída, até 30 de Junho, o suficiente para aprovar internamente a legislação necessária.

A primeira-ministra já deixou um ultimato aos deputados, uma forma de pressão para tentar inverter os votos negativos ao seu acordo, mesmo dentro do seu partido.

Theresa May é clara: caso o acordo que negociou com a UE não seja aprovado até dia 20 de março, véspera do Conselho Europeu, terá de pedir um adiamento prolongado do Brexit que obriga a participar nas eleições europeias. É o que a primeira-ministra chamou de “escolha fundamental que a câmara enfrenta”.

"Se tal não acontecer, então é muito provável que o Conselho Europeu, na sua reunião no dia seguinte, exija um propósito claro para qualquer extensão, nomeadamente para determinar a sua duração", refere o texto da moção que é votada hoje.

O Governo britânico vinca, na sua moção, que qualquer prorrogação para além de 30 de junho exige que o Reino Unido realize eleições para o Parlamento Europeu em maio.

“Não acho que este seja o melhor desenlace”, realçou Theresa May. “Mas a câmara tem de enfrentar as consequências das decisões que tomou”, atirou a primeira-ministra, minutos depois de conhecidos os resultados das votações desta quarta-feira em que uma maioria de 321 deputados contra 278 descartou um 'Brexit' sem acordo, seja em que circunstância for.

A data dessa terceira votação ao acordo de May com a União Europeia ainda não tem data estabelecida. É a terceira tentativa para fazer passar o acordo, depois de duas esmagadoras derrotas, em janeiro (por 230 votos) e esta semana (por 149 votos).

Na declaração que fez após a votação, cujo resultado não é vinculativo, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que na lei continua que o Reino Unido vai sair da UE, e que sair com o acordo que o executivo negociou com Bruxelas continua a ser a melhor forma de garantir o 'Brexit'.
Negociação terminada
A União Europeia já avisou que um pedido de adiamento do Brexit vai necessitar de unanimidade dos restantes 27 Estados-membros da União.

“Se um adiamento adicional for pedido [pelo Reino Unido], é necessário que nos expliquem porquê (…). Não é para renegociar um acordo que já negociámos durante meses e que já dissemos que não é renegociável”, declarou esta quarta-feira o Presidente francês, Emmanuel Macron.

“A negociação está terminada”, reafirmou ainda o negociador da União Europeia, Michel Barnier. “O Reino Unido tem de nos dizer o que quer para a nossa relação futura”, acrescentou.

Estes são avisos vistos pelos analistas como um apelo a que os britânicos mudem o seu modelo de Brexit.

O ministro britânico das Finanças argumentou, em entrevista à Sky News, que Bruxelas pode insistir num adiamento significativo se o Governo solicitar a alteração da data de saída.

“Não está no nosso controlo e a União Europeia assinala que só se tivermos um acordo é que poderá estar disponível para garantir um curto adiamento técnico para aprovar legislação”, disse Philip Hammond.

“Se não temos um acordo, e se ainda estivermos a discutir entre nós qual é o caminho certo a seguir, então é bem possível que a União Europeia insista num período de adiamento significativamente maior”, disse o ministro.
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