UA lamenta retrocessos na estabilidade política e segurança no continente africano
O presidente da Comissão da União Africana (UA) lamentou hoje os retrocessos, nalguns casos, e progressos mínimos, noutros, nas crises de segurança, conflitos e instabilidade política no continente, referindo neste aspeto Guiné-Bissau e Madagáscar.
Na abertura da 48.ª sessão ordinária do Conselho Executivo da UA, que precede a cimeira do próximo fim de semana, em Adis Abeba, Mahmoud Ali Youssouf disse que estas situações são um campo de ação que "preocupa a Comissão", admitindo que "as mediações e os bons ofícios demoram a dar os resultados esperados".
"Infelizmente, Madagáscar e a Guiné-Bissau conheceram mudanças inconstitucionais de Governo", e a Comissão "esforça-se por acompanhar estes dois países no seu processo de transição", disse Mahmoud Ali Youssouf.
A UA suspendeu, a 29 de novembro, a Guiné-Bissau de participar "em todas as atividades da União, dos seus órgãos e instituições, até que a ordem constitucional seja restabelecida", devido ao golpe militar dias antes, que derrubou o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló.
O golpe militar na Guiné-Bissau ocorreu na véspera da publicação dos resultados provisórios de eleições gerais, nas quais tanto o Presidente cessante e candidato à reeleição como o seu principal rival, Fernando Dias da Costa, se tinham declarado vencedores.
O presidente da Comissão da União Africana saudou, por outro lado, "o regresso à ordem constitucional" do Gabão e da Guiné-Conacri, "bem como o seu regresso à União Africana", após "um processo de transição bem-sucedido com o acompanhamento da Comissão".
No Sahel e no Chifre de África, Mahmoud Ali Youssouf alertou que "a ameaça terrorista não recua", deixando assim em relevo temas que vão ocupar, de hoje a quinta-feira, esta reunião de ministros, preparatória da 39.ª Cimeira da União Africana de 14 e 15 de fevereiro.
Contudo, face às alterações climáticas observadas e que afetam gravemente o continente, sendo Moçambique e Madagáscar dos países mais castigados, o tema central escolhido para esta cimeira está articulado em torno da água e do saneamento.
"A parcimónia na sua utilização em todos os aspetos da vida quotidiana é um imperativo importante. Este recurso deve ser um vetor de aproximação e de paz entre os nossos Estados", defendeu Mahmoud Ali Youssouf.