Ucrânia está a negociar com Elon Musk para resolver a questão do uso de Starlink por drones russos

Ucrânia está a negociar com Elon Musk para resolver a questão do uso de Starlink por drones russos

O Ministério ucraniano da Defesa está a trabalhar com a SpaceX de Elon Musk para resolver a questão da utilização da tecnologia Starlink por drones russos, numa altura em que há suspeitas do uso desta tecnologia em ataques russos perpetrados contra a Ucrânia.

RTP /
Foto: Oleksandr Ratushniak - Reuters

“Poucas horas após o aparecimento de drones russos com comunicação Starlink sobre cidades ucranianas, a equipe do Ministério da Defesa contatou prontamente a SpaceX e propôs soluções para o problema”, afirma o ministro ucraniano da Defesa, Mykhailo Fedorov, que agradeceu à empresa pela “rápida resposta” e tentativas de resolução do problema.

“As tecnologias ocidentais devem continuar a ajudar o mundo democrático e a proteger a população civil, e não serem usadas para o terrorismo e a destruição de cidades pacíficas”, defende o ministro.

A tecnologia Starlink é desenvolvida pela SpaceX, de Elon Musk, e tem sido usada desde 2022 para pilotar drones e como forma de comunicação mais segura nas frentes de batalha entre os militares, em detrimento da tradição comunicação via rádio.

O Starlink permite blindar potenciais interferências por parte de tropas inimigas aos sistemas de comunicações, o que faz com que seja uma arma mais segura para combater o exército russo nas frentes de batalha.

No entanto, há suspeitas de uso por parte da Rússia dessa tecnologia em ataques com drones, tendo o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Radosław Sikorski, pedido na terça-feira a Elon Musk para “impedir os russos de usarem o Starlink para atacar cidades ucranianas”, afirmando que “lucrar com crimes de guerra pode prejudicar” a SpaceX.

A Ucrânia acredita que a Rússia tem aproveitado os satélites para usar nos drones russos de longo alcance, algo corroborado pela organização norte-americana Instituto para o Estudo da Guerra.

A 16 de janeiro, o conselheiro do ministro da Defesa, Sergey Beskrestnov, revelou ter detetado, pela primeira vez, o uso do drone russo BM-35 através da internet via satélite Starlink, e cujo alcance (500 quilómetros) pode atingir a Ucrânia, Moldávia e partes da Lituânia, Roménia e Polónia.

Na terça-feira, um ataque de drones na estação de comboios de Kharkiv fez cinco mortos e suspeita-se que os drones foram operados através do Starlink.
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