Mundo
Guerra na Ucrânia
Ucrânia impõe sanções à Bielorrússia perante instalação de mísseis balísticos russos
As sanções contra o presidente da Bielorrússia baseiam-se essencialmente na suspensão dos seus direitos económicos, embora de forma simbólica, já que Lukashenko não tem laços com a Ucrânia, país que encara como inimigo.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou esta quarta-feira um novo pacote de sanções contra o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, acusando-o de ter permitido à Rússia a instalação de mísseis balísticos na Bielorrússia.
O comunicado das sanções foi divulgado por Zelensky na rede social X, na qual garantiu que Kiev irá “intensificar significativamente as contramedidas contra todas as formas de assistência (de Lukashenko) no assassinato de ucranianos”.
Entre as sanções estão o congelamento de bens e ativos relacionados com Lukashenko, a suspensão de operações comerciais e financeiras ligadas ao regime, a proibição da entrada do líder da Bielorrússia na Ucrânia, a suspensão de transporte e trânsito de bens através da Ucrânia e a interrupção alguns acordos comerciais.As medidas sancionatórias surgem na sequência de alegações de que a Bielorrússia continua a apoiar ativamente o esforço militar russo.
Segundo o presidente ucraniano, Minsk terá autorizado, no segundo semestre do ano passado, a instalação de um sistema de estações de retransmissão no seu território para permitir à Rússia controlar drones usados em ataques contra a Ucrânia.
“Os russos não teriam conseguido realizar alguns dos ataques, particularmente contra instalações energéticas e ferroviárias nas nossas regiões, sem a assistência da Bielorrússia”, afirmou Zelensky, de acordo com a Reuters.As sanções são centradas em pessoas e relações económicas diretas com o regime de Lukashenko, e não uma rutura completa de todos os vínculos entre os dois países.
O presidente ucraniano acrescentou ainda que a Bielorrússia - país que partilha mais de mil quilómetros de fronteira com a Ucrânia - tem auxiliado “os extensos ataques com drones de Moscovo contra a Ucrânia”.
Até ao momento, o serviço de imprensa da Presidência bielorrussa não respondeu a pedidos de comentário sobre as novas sanções anunciadas por Kiev.
Aliada próxima do Kremlin, a Bielorrússia já havia servido como base de operações para a invasão russa lançada em 2022, permitindo que forças de Moscovo avançassem em direção à capital ucraniana antes de serem expulsas.Embora atualmente não haja combates ativos ao longo da fronteira comum, Kiev sustenta que o apoio logístico e tecnológico de Minsk permanece determinante.
Zelensky afirmou ainda que mais de três mil empresas bielorrussas estariam a fornecer tecnologia e componentes ao esforço de guerra russo, incluindo peças para mísseis.
“Também está a ser desenvolvida a infraestrutura para implantar mísseis de alcance intermediário- Oreshnik- no território da Bielorrússia, o que representa uma ameaça óbvia não apenas para os ucranianos, mas para todos os europeus”, acrescentou Zelensky no site da Presidência da Ucrânia.
“Cúmplices do crime”
Em dezembro, Moscovo divulgou um vídeo, partilhado pela EuroNews que, segundo as autoridades russas, mostrava o sistema a ser implantado na Bielorrússia. Na ocasião, Lukashenko declarou que o míssil já estava operacional no país.
“Alexander Lukashenko há muito tempo negoceia a soberania da Bielorrússia em troca da continuidade de seu poder pessoal”, referiu o chefe de Estado ucraniano.
Apesar do impacto político da decisão, a medida é considerada “em grande parte simbólica”, uma vez que Lukashenko já enfrenta sanções impostas pelos Estados Unidos e pela Europa. Ainda assim, Zelensky assegurou que a Ucrânia irá trabalhar com parceiros internacionais para garantir que as novas sanções tenham um “efeito global”.Lukashenko é o aliado mais próximo da Rússia e completou 31 anos no poder bielorrusso em 2025.
O conselheiro e comissário do presidente da Ucrânia para a Política de Sanções, Vladyslav Vlasiuk, referiu que há muito tempo que é observada a “participação sistemática de empresas bielorrussas na evasão das sanções da UE, incluindo o fornecimento de componentes, rotas logísticas e serviços financeiros. O regime de sanções contra a Bielorrússia deve estar alinhado com o regime de sanções contra a Federação Russa”.
No site da líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, há também uma reação às medidas sancionatórias impostas ao presidente bielorrusso, demonstrando concordância.
“Esta é uma decisão correta e oportuna da Ucrânia. Agradeço ao presidente Volodymyr Zelenskyy pela sua posição de princípio. Lukashenka não é um líder legítimo. Ele tomou o poder ilegalmente e serve os interesses da Rússia, não os do povo bielorrusso. Os bielorrussos estão efetivamente reféns de dois ditadores”, referiu.
Tsikhanouskaya acrescentou que as sanções impostas pela Ucrânia “são sanções contra o ditador pessoalmente” e acrescentou que aqueles que ajudam Lukashenka, são também “cúmplices de crimes”. “Hoje a Ucrânia demonstrou que não pode haver impunidade. A guerra deve ser interrompida, e a paz e a justiça devem ser restauradas”, finalizou a líder da oposição bielorrussa.
Em dezembro do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu um alívio “limitado” das sanções a três empresas bielorrussas produtoras de potássio - componente essencial para fertilizantes - após a libertação de 123 presos políticos pelo regime de Minsk.
Uma das antigas detidas, Maria Kalesnikava, apelou, na terça-feira, aos países europeus para que sigam o exemplo norte-americano e iniciem um diálogo com Lukashenko, defendendo que a ausência de contacto apenas reforça a dependência da Bielorrússia em relação à Rússia.
Mudança de estratégia
A Ucrânia alterou significativamente a sua estratégia diplomática ao aproximar-se da oposição bielorrussa no exílio, abandonando a cautela anterior que visava não provocar Alexander Lukashenko.
Este reajuste ocorre num contexto de mudanças na liderança ucraniana e de uma perceção de que a ameaça militar direta da Bielorrússia diminuiu.
O presidente Zelensky adota agora uma política externa mais assertiva e procura alinhar as suas políticas com as da União Europeia, desafiando a legitimidade do regime de Minsk enquanto este reforça a cooperação militar com a Rússia.
Embora o impacto prático desta aliança simbólica com Sviatlana Tsikhanouskaya, rosto da oposição bielorrussa, seja incerto, o movimento sinaliza o fim das esperanças de Lukashenko em atuar como mediador no conflito.
O comunicado das sanções foi divulgado por Zelensky na rede social X, na qual garantiu que Kiev irá “intensificar significativamente as contramedidas contra todas as formas de assistência (de Lukashenko) no assassinato de ucranianos”.
Today Ukraine applied a package of sanctions against Alexander Lukashenko, and we will significantly intensify countermeasures against all forms of his assistance in the killing of Ukrainians. We will work with partners so that this has a global effect.
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) February 18, 2026
In the second half of…
Entre as sanções estão o congelamento de bens e ativos relacionados com Lukashenko, a suspensão de operações comerciais e financeiras ligadas ao regime, a proibição da entrada do líder da Bielorrússia na Ucrânia, a suspensão de transporte e trânsito de bens através da Ucrânia e a interrupção alguns acordos comerciais.As medidas sancionatórias surgem na sequência de alegações de que a Bielorrússia continua a apoiar ativamente o esforço militar russo.
Segundo o presidente ucraniano, Minsk terá autorizado, no segundo semestre do ano passado, a instalação de um sistema de estações de retransmissão no seu território para permitir à Rússia controlar drones usados em ataques contra a Ucrânia.
“Os russos não teriam conseguido realizar alguns dos ataques, particularmente contra instalações energéticas e ferroviárias nas nossas regiões, sem a assistência da Bielorrússia”, afirmou Zelensky, de acordo com a Reuters.As sanções são centradas em pessoas e relações económicas diretas com o regime de Lukashenko, e não uma rutura completa de todos os vínculos entre os dois países.
O presidente ucraniano acrescentou ainda que a Bielorrússia - país que partilha mais de mil quilómetros de fronteira com a Ucrânia - tem auxiliado “os extensos ataques com drones de Moscovo contra a Ucrânia”.
Até ao momento, o serviço de imprensa da Presidência bielorrussa não respondeu a pedidos de comentário sobre as novas sanções anunciadas por Kiev.
Aliada próxima do Kremlin, a Bielorrússia já havia servido como base de operações para a invasão russa lançada em 2022, permitindo que forças de Moscovo avançassem em direção à capital ucraniana antes de serem expulsas.Embora atualmente não haja combates ativos ao longo da fronteira comum, Kiev sustenta que o apoio logístico e tecnológico de Minsk permanece determinante.
Zelensky afirmou ainda que mais de três mil empresas bielorrussas estariam a fornecer tecnologia e componentes ao esforço de guerra russo, incluindo peças para mísseis.
“Também está a ser desenvolvida a infraestrutura para implantar mísseis de alcance intermediário- Oreshnik- no território da Bielorrússia, o que representa uma ameaça óbvia não apenas para os ucranianos, mas para todos os europeus”, acrescentou Zelensky no site da Presidência da Ucrânia.
“Cúmplices do crime”
Em dezembro, Moscovo divulgou um vídeo, partilhado pela EuroNews que, segundo as autoridades russas, mostrava o sistema a ser implantado na Bielorrússia. Na ocasião, Lukashenko declarou que o míssil já estava operacional no país.
“Alexander Lukashenko há muito tempo negoceia a soberania da Bielorrússia em troca da continuidade de seu poder pessoal”, referiu o chefe de Estado ucraniano.
Apesar do impacto político da decisão, a medida é considerada “em grande parte simbólica”, uma vez que Lukashenko já enfrenta sanções impostas pelos Estados Unidos e pela Europa. Ainda assim, Zelensky assegurou que a Ucrânia irá trabalhar com parceiros internacionais para garantir que as novas sanções tenham um “efeito global”.Lukashenko é o aliado mais próximo da Rússia e completou 31 anos no poder bielorrusso em 2025.
O conselheiro e comissário do presidente da Ucrânia para a Política de Sanções, Vladyslav Vlasiuk, referiu que há muito tempo que é observada a “participação sistemática de empresas bielorrussas na evasão das sanções da UE, incluindo o fornecimento de componentes, rotas logísticas e serviços financeiros. O regime de sanções contra a Bielorrússia deve estar alinhado com o regime de sanções contra a Federação Russa”.
No site da líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, há também uma reação às medidas sancionatórias impostas ao presidente bielorrusso, demonstrando concordância.
“Esta é uma decisão correta e oportuna da Ucrânia. Agradeço ao presidente Volodymyr Zelenskyy pela sua posição de princípio. Lukashenka não é um líder legítimo. Ele tomou o poder ilegalmente e serve os interesses da Rússia, não os do povo bielorrusso. Os bielorrussos estão efetivamente reféns de dois ditadores”, referiu.
Tsikhanouskaya acrescentou que as sanções impostas pela Ucrânia “são sanções contra o ditador pessoalmente” e acrescentou que aqueles que ajudam Lukashenka, são também “cúmplices de crimes”. “Hoje a Ucrânia demonstrou que não pode haver impunidade. A guerra deve ser interrompida, e a paz e a justiça devem ser restauradas”, finalizou a líder da oposição bielorrussa.
Em dezembro do ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu um alívio “limitado” das sanções a três empresas bielorrussas produtoras de potássio - componente essencial para fertilizantes - após a libertação de 123 presos políticos pelo regime de Minsk.
Uma das antigas detidas, Maria Kalesnikava, apelou, na terça-feira, aos países europeus para que sigam o exemplo norte-americano e iniciem um diálogo com Lukashenko, defendendo que a ausência de contacto apenas reforça a dependência da Bielorrússia em relação à Rússia.
Mudança de estratégia
A Ucrânia alterou significativamente a sua estratégia diplomática ao aproximar-se da oposição bielorrussa no exílio, abandonando a cautela anterior que visava não provocar Alexander Lukashenko.
Este reajuste ocorre num contexto de mudanças na liderança ucraniana e de uma perceção de que a ameaça militar direta da Bielorrússia diminuiu.
O presidente Zelensky adota agora uma política externa mais assertiva e procura alinhar as suas políticas com as da União Europeia, desafiando a legitimidade do regime de Minsk enquanto este reforça a cooperação militar com a Rússia.
Embora o impacto prático desta aliança simbólica com Sviatlana Tsikhanouskaya, rosto da oposição bielorrussa, seja incerto, o movimento sinaliza o fim das esperanças de Lukashenko em atuar como mediador no conflito.