UE com "apoio amplo" para restringir vistos turísticos para russos diz Kallas
A chefe da diplomacia da União Europeia indicou hoje que há um "apoio amplo" entre os Estados-membros para restringir os vistos turísticos a cidadãos russos e proibir a entrada de ex-combatentes, justificando estas medidas com razões de segurança interna.
"Houve um apoio amplo à adoção de uma proibição de entrada na União Europeia (UE) para ex-combatentes russos, bem como para reforçar mais [as restrições] em relação aos vistos para turistas russos", afirmou Kaja Kallas em conferência de imprensa no final de uma reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 do bloco europeu, em Wicklow, na Irlanda.
Questionada sobre relatos que indicam que um dos suspeitos de envolvimento no incidente com drones no aeroporto de Leipzig, atribuído pela Alemanha à Rússia, entrou na UE com um visto turístico emitido pela Itália, Kallas referiu que, a confirmar-se, isso mostra a urgência de se endurecer as restrições.
"Isso mostra muito claramente que os vistos estão a ser utilizados como uma ferramenta para entrar no espaço europeu por pessoas que tencionam prejudicar a UE", observou, indicando que muitos ministros afirmaram hoje, durante a reunião, que é preciso "restringir efetivamente a emissão de vistos".
Para a Alta Representante da UE, "não é normal que, enquanto a Rússia está a bombardear a Ucrânia e matou mais civis do que nunca em julho e agosto, haja russos a entrar e a beneficiar da hospitalidade de países europeus".
"Não deveria funcionar assim e muitos Estados-membros já tinham alertado para esta situação. (...) Por isso espero que, se esta informação se confirmar, isso também convença alguns Estados-membros que se têm oposto ao reforço das restrições em matéria de vistos de que está igualmente em causa a nossa segurança", disse.
Kaja Kallas considerou que o incidente no aeroporto de Leipzig "não foi um caso isolado", acrescentando que desde 2022 que se têm verificado "ataques sistemáticos em toda a Europa".
"Sabotagens, ciberataques e espionagem estão a tornar-se cada vez mais frequentes. A UE está plenamente solidária com a Alemanha. Convocámos o representante da Rússia junto da UE e vamos avançar com mais sanções. As tentativas de intimidar a Europa vão falhar", advertiu.
Nesta conferência de imprensa, a chefe da diplomacia da UE referiu que, durante a reunião, houve Estados-membros que anunciaram que vão reforçar a defesa aérea da Ucrânia, apesar de não querer identificar quem são, por considerar que cabe a cada país anunciá-lo.
À agência Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros indicou que Portugal não tem capacidade para ajudar nesse domínio, mas referiu que está a identificar material energético não utilizado no país para doar a Kiev, além de ter igualmente reforçado a sua participação no Fundo de Apoio à Energia da Ucrânia, que permite que Kiev adquira geradores e outros equipamentos.
Sobre este assunto, Kaja Kallas agradeceu aos Estados-membros que estão a tentar ajudar a Ucrânia a enfrentar o inverno.
"Há quatro anos consecutivos que a Rússia tenta levar os ucranianos à submissão através do frio, mas não tem conseguido. A Ucrânia tem conseguido manter as suas cidades a funcionar e a resistir, defendendo, reparando e substituindo as suas infraestruturas energéticas. Temos de preparar Kiev para enfrentar mais um inverno difícil", referiu.
A Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança adiantou ainda que, na reunião de hoje, houve países que voltaram a pedir que a UE utilize os ativos russos que se encontram congelados para ajudar o esforço de guerra na Ucrânia, mas referiu apenas que a discussão sobre esse assunto "vai continuar", sem indicar se se chegou a algum consenso.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).