UE convoca embaixador iraniano após as mais recentes execuções

A União Europeia chamou hoje para consultas o embaixador do Irão junto das instituições europeias, Hossein Dehghani, para protestar contra as execuções, no passado sábado, de mais dois condenados por participação nos protestos contra o regime teocrático iraniano.

Lusa /

O secretário-geral do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), Stefano Sannino, apelou ao diplomata iraniano para que Teerão ponha "imediatamente" fim à imposição de penas de morte aos manifestantes e anule "sem demora" todas as que já foram ditadas pelas autoridades.

O Irão soma já 16 condenações à morte e quatro execuções d???esde que, no passado mês de setembro, se iniciaram os protestos, desencadeados pela morte às mãos da polícia da moralidade da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, violentamente espancada numa rua de Teerão por não levar o `hijab` (véu islâmico) devidamente posto, deixando entrever parte do seu cabelo.

Além disso, a forte repressão policial para tentar impedir as manifestações fez até agora mais de 500 mortes e quase 20.000 detenções em todo o país.

As autoridades enforcaram a 08 de dezembro Mohsen Shekari, de 23 anos, por ter "ferido um guarda miliciano islâmico (basiji) com uma arma branca, bloqueado uma rua e criado terror em Teerão".

Quatro dias depois, foi executado em público um segundo manifestante, Majid Reza Rahnavard, condenado pelo assassínio de dois agentes de segurança.

No sábado, foram executados Mohammad Mehdi Karami e Mohammad Hosseini pelo alegado assassínio de um guarda miliciano islâmico (basiji).

A União Europeia aprovou já três pacotes de sanções contra o Irão pelas execuções e pela repressão sobre os manifestantes.

A França juntou-se a outros parceiros europeus e também convocou hoje o encarregado de negócios iraniano em Paris para apresentar a "mais forte condenação" das execuções e dos atos de repressão registados nos últimos meses no Irão.

A partir de Paris, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês sublinhou ter já denunciado em várias ocasiões junto das autoridades de Teerão a atual repressão.

Em Londres, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, James Cleverly, também convocou hoje o encarregado de negócios iraniano no Reino Unido, Mehdi Hosseini Matin, o diplomata de mais alto escalão no país, para "condenar nos termos mais fortes possíveis" as execuções perpetradas pelo regime iraniano de dois outros ativistas.

Também hoje, a Alemanha e a Noruega anunciaram terem convocado os embaixadores iranianos para protestar contra as execuções no Irão.

Em Berlim, cujo embaixador iraniano foi convocado pela segunda vez em dois meses, a chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, indicou em conferência de imprensa que a "repressão brutal, a opressão e o terror contra a população", bem como "as recentes execuções" de manifestantes "não ficarão impunes".

Outros países europeus, como a Dinamarca, Bélgica e Países Baixos, também anunciaram decisões semelhantes.

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